A morte do paraense Wesley Adriano Silva, de 24 anos, durante o conflito entre Ucrânia e Rússia, gerou repercussão nas redes sociais e levou familiares a divulgarem uma carta aberta pedindo respeito e o fim da circulação de informações não confirmadas. Natural de Belém, ele atuava como voluntário ao lado das forças ucranianas.
De acordo com relatos da família, Wesley morreu na cidade de Kupiansk, região próxima à linha de frente no leste da Ucrânia. A informação inicial é de que ele teria sido atingido durante um ataque de artilharia, realizado com disparos a longa distância, sem combate corpo a corpo. Em entrevista, Michely, companheira da mãe de Wesley, Adriana Cruz, afirmou que a família decidiu se manifestar após a divulgação de versões que, segundo ela, não correspondem aos fatos.
“A gente resolveu falar porque está muito difícil abrir as redes sociais e ver pessoas dizendo coisas que não são verdade. Estão dizendo que ele foi por promessa de dinheiro, mas isso não aconteceu. Ele foi por vontade própria, para realizar um sonho que tinha de ajudar pessoas na guerra”, declarou.
Jovens atraídos por dinheiro
A repercussão sobre a atuação de brasileiros no conflito ganhou força após reportagem exibida pelo programa Fantástico, que abordou o recrutamento de jovens para atuar na guerra na Ucrânia. A matéria apresentou relatos de ex-combatentes que afirmaram ter viajado ao país após promessas de remuneração e benefícios que, segundo eles, não se confirmaram.
A partir da exibição, passaram a circular nas redes sociais especulações de que Wesley Adriano teria deixado o Brasil com motivação financeira. A família contesta essa versão e afirma que a decisão foi pessoal.
O programa mostrou entrevistas com quatro brasileiros que participaram do conflito. Um deles, João Victor de Jesus Teixeira, que utilizava o codinome “Arcanjo”, declarou que se arrependeu de ter incentivado outras pessoas a irem para a guerra. Outro entrevistado, identificado como Marcos, relatou que acreditava receber valores equivalentes a R$ 50 mil, mas afirmou que a quantia oferecida correspondia a 50 mil grívnias, moeda ucraniana, valor inferior quando convertido para reais.
Família nega que jovem seria mercenário de guerra
Segundo Michely, as informações divulgadas não se aplicam ao caso do paraense. “Estão associando a história dele a promessas de dinheiro, mas ele não foi por isso. Ele tomou a decisão por vontade própria”, afirmou.
O jovem integrou o Exército Brasileiro quando morava em Belém e já manifestava o desejo de atuar em missões no exterior. “Ele tinha esse sonho e tomou a decisão dele. Não foi induzido por ninguém”, afirmou.
A familiar também relatou que, até o momento, o corpo não foi localizado. Conforme informações repassadas à família, o caso foi comunicado como desaparecimento em combate. “O consulado entrou em contato e explicou que, como não há corpo, ele foi considerado desaparecido em combate. Quando houver resgate do que restou, será feito exame de DNA. Depois disso, haverá os procedimentos e as cinzas serão enviadas para a mãe dele”, disse.
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Michely acrescentou que a família não está realizando campanhas para arrecadação de recursos. “Não existe vaquinha para trazer corpo, porque não tem corpo. O que haverá é a cerimônia feita pelo grupo em que ele servia, e depois as cinzas serão encaminhadas”, explicou.
Jovem deixa filho de quatro meses
Wesley Adriano deixa um filho de quatro meses. O Ministério das Relações Exteriores acompanha casos de brasileiros envolvidos no conflito. Até o momento, o nome do paraense não constava na lista oficial de mortos divulgada anteriormente pelo Itamaraty.
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