O acesso à água de qualidade ainda é um desafio para muitas comunidades ribeirinhas da Amazônia. Em resposta a essa realidade, o Governo do Pará vem investindo em soluções sustentáveis que garantem segurança hídrica e promovem justiça social, transformando água da chuva em potável para consumo em escolas públicas da Região Metropolitana de Belém.
A Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) São José, localizada na ilha Grande, é uma das unidades beneficiadas pelo sistema de captação e tratamento de água pluvial. A iniciativa já contemplou quatro escolas e soma dez sistemas implantados na Região Metropolitana. Na São José, os 198 estudantes passaram a contar com água própria para consumo nos bebedouros e também utilizada na preparação da merenda escolar, reforçando saúde, dignidade e sustentabilidade no ambiente escolar.
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O projeto integra o programa Água para Todos, coordenado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas). Durante visita à escola, o secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental (Sagra), Rodolpho Zahluth Bastos, entregou garrafinhas ecológicas aos alunos, incentivando que a água tratada também faça parte da rotina das famílias. Segundo ele, a proposta nasce da própria realidade amazônica: comunidades cercadas por rios, mas com dificuldade de acesso à água potável. A ação, afirma, representa um passo concreto em direção à justiça hídrica para populações ribeirinhas.

Além das escolas, o programa também atende uma Unidade Básica de Saúde (UBS), quatro empreendimentos comunitários de sociobiodiversidade e uma comunidade em Santo Amaro, no município de Benevides. Ao todo, já são dez estruturas de captação, armazenamento e tratamento de água da chuva em funcionamento.
Na Emef São José, o sistema é composto por três cisternas com capacidade de cinco mil litros cada e um reservatório elevado de mil litros. A água captada passa por um processo de filtragem sem adição de produtos químicos. A primeira água da chuva, responsável por lavar o telhado, é descartada em um compartimento específico; em seguida, a água limpa é direcionada às cisternas, passa pelo reservatório superior e pelo sistema de filtragem até chegar aos pontos de consumo.
A engenheira civil Simeia Domingos, da Startup Pluvi, explica que o dimensionamento varia de acordo com a área de captação e a demanda de cada local. No caso da escola, foram considerados cerca de 300 metros quadrados de telhado e uma reserva total de 15 mil litros. Para o secretário adjunto, priorizar as escolas amplia o alcance social da política pública, já que as crianças funcionam como multiplicadoras da informação e do uso consciente da água dentro das comunidades.
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A coordenadora da unidade, Luciene Rocha, destaca que a iniciativa trouxe melhorias diretas para o cotidiano escolar. Segundo ela, os estudantes agora consomem uma água mais limpa e adequada, tanto para beber quanto para a alimentação, o que representa um avanço significativo na qualidade de vida e na rotina da escola.
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