Cada vez mais brasileiros estão trocando viagens tradicionais por experiências capazes de gerar impacto social, conexão humana e imersão cultural. Em vez de resorts, roteiros acelerados e turismo voltado apenas ao descanso, cresce o interesse por vivências em comunidades, especialmente em territórios amazônicos, onde o contato com a realidade local se transforma em aprendizado, para quem visita e para quem recebe.
Foi esse o caminho escolhido pelo médico David Ximenes, de 26 anos, que decidiu passar parte das férias no arquipélago do Marajó participando de uma experiência de voluntariado em comunidades ribeirinhas. Na época ainda estudante de medicina, ele integrou uma imersão social em Breves e afirma que a experiência mudou sua forma de enxergar desigualdade, humanidade e até a própria profissão.
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“Enquanto muita gente viaja para desligar, eu quis viajar para sentir e me conectar. Foi uma das decisões mais transformadoras da minha vida, tanto pessoal quanto profissional”, relata.
A experiência ultrapassou os dias vividos na Amazônia. Inspirado pelas vivências nas comunidades ribeirinhas, David participou da produção de dois trabalhos científicos apresentados no Congresso Brasileiro de Educação Médica, realizado em Natal. Os estudos discutiram temas como saúde mental da mulher, escuta ativa, saberes tradicionais e formação médica humanizada a partir da realidade marajoara.
“A gente vai com a intenção de ajudar, e ajuda. Mas aprende tanto quanto ensina. O Marajó mudou minha forma de enxergar desigualdade, humanidade e até minha própria vida”, afirma.
A mudança acompanha um movimento nacional identificado por pesquisas recentes sobre comportamento turístico. Dados divulgados pelo Ministério do Turismo e pela Embratur, com base em levantamento da plataforma Expedia, mostram que 63% dos viajantes brasileiros demonstram interesse em conhecer destinos menos explorados, priorizando autenticidade, conexão cultural e experiências mais significativas.
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Esse cenário fortalece o chamado turismo de experiência, modalidade em que a viagem deixa de ser apenas um deslocamento para lazer e passa a envolver aprendizado, troca cultural e vivências transformadoras.
No arquipélago do Marajó, iniciativas de voluntariado têm atraído participantes de diferentes regiões do país interessados em conhecer de perto o cotidiano das comunidades amazônicas. Um dos exemplos é o Intercâmbio Mondó, promovido pelo Instituto Mondó.
Segundo a coordenadora de voluntariado do instituto, Fernanda Pinheiro, a procura por esse tipo de experiência cresceu nos últimos anos.
“Existe uma busca crescente por experiências que gerem conexão verdadeira com os lugares e com as pessoas. Muita gente chega ao Marajó imaginando que vai apenas ajudar, mas acaba descobrindo um território que também transforma quem vem de fora”, explica.
Além de estudantes e profissionais da área da saúde, o programa também reúne pessoas interessadas em educação, desenvolvimento social e cultura amazônica. As atividades acontecem diretamente nas comunidades ribeirinhas, promovendo troca de conhecimentos e aproximação entre realidades diferentes.
Na comunidade São Tomé, em Breves, a líder comunitária Leidinelma Brito acompanha as ações realizadas durante as visitas e afirma que o intercâmbio fortalece vínculos dentro da própria comunidade.
“Os voluntários chegam trazendo atendimentos, oficinas e acolhimento, mas também passam a conhecer nossa realidade enquanto comunidade amazônica. Essa troca fortalece vínculos e aproxima realidades muito diferentes”, destaca.
Ela afirma que muitos participantes se surpreendem ao conhecer a relação construída entre os moradores e o território amazônico.
“Muitos voluntários chegam surpresos com a forma como vivemos próximos da natureza e com o acolhimento das comunidades. Eles levam daqui uma experiência humana muito forte”, diz.
A quinta edição do Intercâmbio Mondó será realizada entre os dias 19 e 23 de julho, em Breves. Desde a criação do projeto, mais de 70 participantes já passaram pela experiência. Nesta edição, serão ofertadas 10 vagas presenciais, sendo metade destinada a moradores do próprio território amazônico.
As inscrições seguem abertas até o dia 25 de maio e podem ser realizadas pelo site oficial do Instituto Mondó.
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