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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Atlas da Violência aponta queda nos homicídios de mulheres no Pará

Estado está entre as unidades da federação que reduziram taxas entre 2023 e 2024; estudo do Ipea alerta para persistência da violência letal de gênero no país.

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Imagem ilustrativa da notícia Atlas da Violência aponta queda nos homicídios de mulheres no Pará camera A governadora Hana Ghassan durante o lançamento da operação "Escudo Feminino"; iniciativa vida ampliar a redução nos homicídios de mulheres no estado registrada entre 2023 e 2024. | Bruno Cruz/Agência Pará

A violência contra a mulher segue como uma das feridas sociais mais profundas do Brasil. Mesmo diante de indicadores que apontam redução nos homicídios femininos ao longo da última década, os números ainda revelam um cenário alarmante, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O novo levantamento divulgado nesta terça-feira (26) reforça que, apesar dos avanços estatísticos, milhares de mulheres continuam perdendo a vida de forma violenta em todo o país.

Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo mostra que o Pará está entre os 19 estados brasileiros que apresentaram redução nas taxas de homicídios de mulheres entre 2023 e 2024, acompanhando uma tendência nacional de queda, embora os especialistas alertem que a violência letal feminina ainda permanece em níveis preocupantes.

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Segundo o levantamento, 3.642 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2024. O índice corresponde a uma taxa de 3,4 mortes para cada 100 mil mulheres, representando redução de 6,7% em comparação com 2023. O estudo destaca que a queda acompanha uma tendência observada ao longo da última década. Desde 2014, houve diminuição de 27,7% na taxa de homicídios femininos registrados oficialmente pelo sistema de saúde.

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Apesar disso, o volume absoluto de casos ainda impressiona. Entre 2014 e 2024, o país contabilizou 46.336 mulheres assassinadas, evidenciando a permanência da violência de gênero em território nacional.

PARÁ ACOMPANHA TENDÊNCIA DE REDUÇÃO

Entre os estados brasileiros, o Pará aparece na lista das unidades federativas que conseguiram reduzir os índices entre 2023 e 2024. De acordo com os dados do Atlas da Violência 2026, o estado registrou uma queda de 13,3% na taxa de homicídios de mulheres entre 2023 e 2024, índice superior à média nacional, que ficou em 5,6% no mesmo período. O estado passou de 4,5 para 3,9 assassinatos por 100 mil mulheres, consolidando uma das reduções mais significativas entre as unidades da federação que apresentaram melhora nos indicadores.

No recorte da última década - entre 2014 e 2024 -, a retração paraense chega a 38,1%, desempenho também acima da redução nacional acumulada, de 27,7%. O resultado coloca o Pará em posição de destaque entre os estados do Norte e Nordeste - regiões que concentram os maiores índices de violência letal contra mulheres no país - e reforça uma tendência recente de desaceleração dos homicídios femininos, embora os números ainda permaneçam elevados.

GOVERNO DO PARÁ AMPLIA COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

A governadora Hana Ghassan durante o lançamento da plataforma "SOS Mulher-190", nova ferramenta integrada ao sistema de emergência que promete agilizar o atendimento a mulheres vítimas de violência no Pará.
📷 A governadora Hana Ghassan durante o lançamento da plataforma "SOS Mulher-190", nova ferramenta integrada ao sistema de emergência que promete agilizar o atendimento a mulheres vítimas de violência no Pará. |Marcos Santos;Agência Pará

Os números apresentados pelo Atlas da Violência 2026 coincidem com um momento em que o Pará passou a ampliar ações voltadas ao enfrentamento da violência de gênero. À frente do governo estadual, a governadora Hana Ghassan iniciou recentemente uma série de medidas voltadas à prevenção, repressão qualificada e fortalecimento da rede de proteção às mulheres. Entre as iniciativas de maior alcance está a megaoperação "Escudo Feminino", lançada em Belém com atuação simultânea em dezenas de municípios paraenses, em uma mobilização considerada inédita no estado.

A operação reuniu mais de 1.500 agentes de segurança, 274 viaturas e ações integradas das forças policiais em todas as regiões do Pará, com foco em fiscalizações de medidas protetivas, visitas técnicas, cumprimento de mandados e atendimento direto às vítimas. A estratégia também ampliou o monitoramento de ocorrências registradas pelo Centro Integrado de Operações (CIOp) e fortaleceu o uso da plataforma "SOS Mulher 190", ferramenta que permite denúncias silenciosas e agiliza o envio de equipes policiais por geolocalização. A iniciativa busca aumentar a presença do Estado em áreas consideradas mais vulneráveis e reforçar o acolhimento às mulheres em situação de risco.

Além do reforço ostensivo, o governo estadual aposta na integração entre tecnologia, investigação e prevenção como eixo das políticas públicas recentes. Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs), Polícia Militar, Polícia Civil e Secretaria de Segurança Pública passaram a atuar de forma coordenada nas ações da "Escudo Feminino", considerada uma das maiores operações já realizadas no Pará no combate à violência doméstica.

DADOS DE OUTROS ESTADOS

Além do território paraense, também apresentaram queda Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

O relatório, porém, ressalta que a distribuição da violência contra mulheres permanece desigual no país. As maiores taxas de homicídios femininos em 2024 foram registradas em Roraima, Rondônia, Ceará, Pernambuco e Bahia, concentrando os índices mais elevados principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

DIFERENÇAS REGIONAIS SEGUEM EVIDENTES

O estudo também revela comportamentos distintos entre os estados brasileiros. Rondônia, por exemplo, apresentou queda consistente de 17,4% ao longo do período analisado, aproximando-se da média nacional. Já o Ceará registrou forte oscilação. Depois de atingir o pico de 10,3 homicídios por 100 mil mulheres em 2018, o estado teve redução expressiva no ano seguinte, quando a taxa caiu para 4,7 - diminuição de 54,4%.

Na comparação entre 2023 e 2024, Bahia, Pernambuco e Rondônia registraram recuo nas taxas. Em contrapartida, Ceará e Roraima apresentaram crescimento, mantendo níveis considerados críticos.

SÃO PAULO TEVE MENOR TAXA DO PAÍS

Entre os estados com melhores indicadores, São Paulo registrou a menor taxa nacional em 2024, com 1,5 homicídio por 100 mil mulheres. Também ficaram abaixo da média brasileira Acre, Amapá, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Sergipe.

O Atlas aponta ainda que Sergipe e Amapá tiveram algumas das reduções mais expressivas da série histórica, com quedas de 37,1% e 32,4%, respectivamente.

SÉRIE HISTÓRICO MOSTRA PICO EM 2017

O levantamento aponta que o maior índice da série histórica ocorreu em 2017, quando a taxa nacional chegou a 4,7 homicídios por 100 mil mulheres. A partir daquele ano, os números começaram a cair de maneira mais perceptível, sobretudo entre 2018 e 2019, período em que as taxas passaram de 4,3 para 3,5 mortes por 100 mil mulheres.

Desde então, os índices permaneceram relativamente estáveis em um patamar menor. Em 2024, foi registrado o menor número de toda a série histórica analisada.

SUBNOTIFICAÇÃO PREOCUPA PESQUISADORES

Apesar da redução oficial, os pesquisadores alertam para possíveis falhas nos registros. O estudo também analisou os chamados homicídios estimados, metodologia utilizada para compensar eventuais subnotificações no sistema de saúde. Nesse cenário, a taxa real de assassinatos de mulheres em 2024 poderia chegar a 4,4 mortes por 100 mil mulheres. Valor significativamente superior aos 3,4 oficialmente registrados.

Segundo o Atlas da Violência, essa diferença atingiu o maior nível de toda a série histórica justamente no ano em que os dados oficiais indicaram a menor taxa de homicídios femininos. O relatório destaca que esse descompasso exige cautela na interpretação da redução recente, já que os números podem não refletir integralmente a dimensão da violência letal contra mulheres no Brasil.

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