Os tremores sentidos por moradores de Belém na noite da última quarta-feira (24), reflexo de dois terremotos registrados na Venezuela, provocaram apreensão e levantaram uma série de dúvidas entre os belenenses. Enquanto algumas pessoas relataram que os prédios chegaram a balançar, outras, até mesmo em edifícios vizinhos, disseram não ter percebido qualquer movimentação.
O fenômeno foi Confirmado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) e pela Rede Sismográfica Brasileira, que identificaram que as vibrações registradas na capital paraense foram causadas pelas ondas sísmicas geradas pelos abalos no país vizinho. Mas, afinal, por que alguns prédios oscilaram e outros não?
Segundo o engenheiro civil Luan Souza, essa diferença é considerada normal e está relacionada às características de cada edificação. "É normal que diferentes edificações respondam de maneiras distintas a um mesmo tremor. Isso pode variar conforme fatores como a altura da edificação, o sistema estrutural adotado, a rigidez da estrutura e as características do solo onde ela está construída. Em edifícios mais altos, especialmente nos pavimentos superiores, pequenas oscilações tendem a ser mais perceptíveis. Isso não significa que exista qualquer problema estrutural", explicou.

Conteúdos relacionados:
- Tremor de terra: Belém pode sentir de novo, o que diz a USP e ajuda de Lula
- Veja quais prédios sentiram o tremor de terra em Belém
- Geofísico explica por que terremoto na Venezuela foi sentido em Belém
De acordo com o especialista, não existe um padrão único de resposta das construções diante de vibrações, como as registradas na última quarta-feira (24). "Cada edificação possui um comportamento estrutural próprio, que depende do sistema construtivo, da geometria, da altura e da rigidez da estrutura. Em geral, edifícios mais altos podem apresentar oscilações mais perceptíveis do que edifícios baixos, principalmente nos pavimentos superiores", disse.
Além disso, o engenheiro reforça que o fato de a edificação ter "sentido" essa movimentação não indica, necessariamente, que haja algum problema. "Quanto à idade da edificação, por si só ela não determina esse comportamento. O mais importante é que o edifício tenha sido projetado, executado e conservado adequadamente", completou.
Embora terremotos sejam raros no Brasil, os projetos de edificações precisam seguir algumas normas técnicas que estabelecem critérios de segurança para cada região do país. Segundo o especialista, em Belém, onde a atividade sísmica é historicamente muito baixa, os cálculos estruturais priorizam outras ações mais frequentes, como o peso da própria construção, a ocupação dos edifícios e a força dos ventos.
Quer mais notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!
Após os relatos de moradores, equipes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil de Belém foram mobilizadas para orientar a população e realizar vistorias preventivas nos imóveis onde houve registro de tremores. Contudo, as ações não identificaram fissuras, rachaduras ou qualquer comprometimento estrutural nos prédios analisados.
Segundo Luan Souza, a ausência de danos é compatível com o comportamento esperado das estruturas diante de um tremor dessa intensidade. "Uma pequena oscilação pode representar apenas o comportamento esperado da estrutura diante de uma ação dinâmica. As edificações são projetadas para suportar determinados esforços sem que isso represente, automaticamente, um risco estrutural. A percepção de movimento não significa, por si só, que houve danos", afirma.
Quando é preciso procurar uma avaliação técnica?
Embora a sensação de o prédio balançar não indique, sozinha, que houve algum problema, o engenheiro orienta que os moradores fiquem atentos caso apareçam sinais incomuns nas edificações. "Caso sejam observadas fissuras ou trincas novas e significativas, dificuldade para abrir ou fechar portas e janelas que antes funcionavam normalmente, deformações aparentes ou qualquer alteração incomum na edificação, é recomendável solicitar uma avaliação de um engenheiro civil", ressalta.
"Na ausência desses indícios, especialmente após um evento de baixa intensidade como o registrado, a sensação de oscilação, isoladamente, não indica que a estrutura tenha sofrido danos", completa.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar