Os números apresentados pela Prefeitura de Ananindeua na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 revelam que 2025 foi um dos anos mais preocupantes para as finanças do município nos últimos tempos, último ano da gestão de Daniel Santos (PODEMOS).
A comparação com 2024 mostra uma rápida piora das contas públicas, marcada pelo aumento das despesas, crescimento da dívida e agravamento dos déficits fiscais, mesmo com a entrada de mais recursos nos cofres municipais.
CONTEÚDOS RELACIONADOS
- Daniel Santos contrata choperia por R$ 5 milhões para fornecer quentinhas a hospitais
- MP pede bloqueio de bens de Daniel Santos por desmatamento ilegal
- MP denuncia Daniel Santos por uso de "laranja ambiental" em desmatamento ilegal
Um dos principais indicadores das contas públicas, o chamado resultado primário, que mede se a prefeitura consegue pagar suas despesas sem considerar os juros da dívida, apresentou uma forte piora.
Em 2025, o município registrou um déficit de R$ 57,1 milhões. Na prática, isso significa que a prefeitura gastou mais do que arrecadou para manter suas atividades básicas. O cenário é ainda mais preocupante porque o resultado efetivamente apurado em 2025 foi pior do que a própria previsão oficial, chegando a um déficit de R$ 103,5 milhões.
Embora a arrecadação tenha aumentado, as despesas também dispararam e alcançaram R$ 1,43 bilhão, ultrapassando em mais de R$ 139 milhões o que estava planejado pela própria administração municipal. Além disso, a prefeitura contratou R$ 187 milhões em operações de crédito durante o ano, aumentando a dependência de recursos obtidos por meio de empréstimos.
Outro indicador que acende o sinal de alerta é o resultado nominal, que considera também os juros e os custos da dívida pública. Em 2024, o município havia encerrado o ano com saldo positivo de R$ 37,3 milhões. Já em 2025, o resultado se transformou em déficit de R$ 126 milhões.
Quando analisado o desempenho efetivamente registrado no exercício, o rombo foi ainda maior: R$ 363,2 milhões negativos, quase quatro vezes superior ao que a prefeitura havia previsto inicialmente na LDO 2025. Segundo a própria LDO, grande parte dessa piora ocorreu porque as despesas com juros, encargos e correções da dívida mais do que dobraram em apenas um ano.
Aumento da dívida
O aumento da dívida pública também chama atenção. A Dívida Consolidada Líquida do município, que era de R$ 493,8 milhões em 2024, saltou para mais de R$ 668,5 milhões em 2025, crescimento de mais de R$ 160 milhões em apenas um ano. Já a Dívida Consolidada total ultrapassou R$ 662 milhões. Em outras palavras, a prefeitura encerrou 2025 devendo significativamente mais do que no ano anterior.
Os números projetados para os próximos anos mostram que a pressão sobre as contas públicas deve continuar. A dívida líquida deve crescer para R$ 685,2 milhões em 2026, alcançar R$ 685 milhões em 2027, subir para R$ 701,7 milhões em 2028 e atingir R$ 702,1 milhões em 2029.

Ao mesmo tempo, o município continuará registrando déficits nominais em todos os anos projetados, o que significa que as despesas totais, incluindo os custos da dívida, seguirão consumindo mais recursos do que a administração consegue gerar.
Os dados da LDO mostram que 2025 representou um ponto de inflexão nas finanças de Ananindeua. O aumento acelerado dos gastos, o crescimento expressivo da dívida e a piora dos principais indicadores fiscais levantam questionamentos sobre a capacidade do município de controlar suas despesas e garantir equilíbrio financeiro nos próximos anos.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar