A Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Estado do Pará (ADPEP) lançou a campanha ADPEP+ Saúde, iniciativa voltada ao cuidado integral dos associados e associadas. A ação ocorre em paralelo à participação da entidade no Mapeamento de Saúde Ocupacional e Psicossocial no Trabalho das Defensoras e Defensores Públicos no Brasil, pesquisa nacional inédita coordenada pela Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (ANADEP).
O levantamento foi lançado no dia 5 de agosto, Dia Nacional da Saúde, e busca identificar fatores psicossociais, organizacionais e ocupacionais que fazem parte da rotina dos profissionais da Defensoria Pública. O estudo é conduzido pelo psicólogo organizacional Cristiano Costa e conta com questionário dividido em 12 módulos.
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Para o presidente da ADPEP e diretor jurídico da ANADEP, Bruno Braga, em visita ao grupo RBA nesta sexta-feira (21), disse a pesquisa representa uma oportunidade de analisar a saúde da categoria a partir das características específicas da profissão. "A gente trabalha, trabalha, e trabalha cuidando dos outros, só que acabamos muitas vezes não cuidando de nós mesmos", afirmou.
Segundo Braga, o trabalho dos defensores públicos envolve contato permanente com situações de vulnerabilidade e conflitos. Ele destaca que a carga emocional acumulada ao longo dos atendimentos pode gerar impactos que nem sempre são percebidos imediatamente.
“Quando a pessoa vai à Defensoria, ela já levou diversos ‘nãos'. Com isso, não podemos ser mais um a dar um 'não' para ela. Nós iremos dizer: ‘Vamos juntos, vamos lutar pelo seu direito’. Só que são uma série de mazelas que a gente vê”, relatou.

Cuidado vai além do ambiente de trabalho
A proposta da associação também contempla ações de educação em saúde e direitos voltadas ao público externo. Segundo Braga, a ADPEP pretende utilizar a experiência de seus associados para contribuir com informações à população em diferentes temas.
“Nosso papel é servir. Nós temos colegas que têm essa experiência do dia a dia e também temos o papel de fazer educação em direitos”, afirmou.
O presidente citou áreas como saúde pública e privada, planos de saúde, violência doméstica e de gênero, direitos da criança e do adolescente, pessoas com deficiência, meio ambiente e questões indígenas como exemplos de temas nos quais defensores públicos podem contribuir com informação especializada.
A associação também mantém comissões temáticas formadas por profissionais que atuam em diferentes áreas e podem participar de debates, entrevistas, artigos e iniciativas de educação em direitos.
Sobrecarga preocupa categoria
Dados da Pesquisa Nacional da Defensoria Pública 2023 ajudam a dimensionar o cenário. Entre 2003 e 2022, o volume de atendimentos realizados pelas Defensorias Públicas brasileiras aumentou 516,9%, enquanto o número de defensoras e defensores cresceu 125,7%.
Para Braga, os números ajudam a explicar a necessidade de ampliar políticas de prevenção e cuidado. “A própria carga emocional é muito grande. Por mais que a gente vá criando uma casca, nós somos seres humanos. A conta chega”, disse.
A campanha ADPEP+ Saúde foi estruturada para atuar em diferentes dimensões, incluindo saúde física, saúde mental e psicológica, organização da carga de trabalho e fortalecimento das relações entre os integrantes da carreira.
Entre as iniciativas estão:
- Saúde física: combate ao sedentarismo, incentivo a check-ups regulares e ergonomia na rotina de trabalho.
- Saúde mental e psicológica: normalização da busca por apoio psicológico, redução do estigma e enfrentamento do estresse crônico.
- Gestão de carga e tempo: pausas estratégicas, organização de agenda e garantia do direito ao descanso como parte da vida profissional.
- Comunidade e pertencimento: fortalecimento das redes de apoio entre colegas, redução do isolamento e valorização do senso de pertencimento à categoria.
Diagnóstico nacional
A participação da ADPEP no levantamento da ANADEP pretende contribuir para a construção de um diagnóstico nacional sobre as condições de saúde ocupacional da carreira. A expectativa é que os dados permitam identificar problemas comuns e diferenças entre as unidades da Federação.
Para Braga, o estudo também ajuda a mudar a percepção sobre o profissional da Defensoria Pública. “É importante que a gente olhe o colega não apenas como mais uma ferramenta de trabalho, mas como um ser humano que tem suas dificuldades, suas crenças”, destacou.
A campanha reforça ainda que o cuidado não deve ser encarado apenas como uma resposta a problemas já instalados. A proposta é estimular prevenção, acompanhamento e criação de uma cultura permanente de atenção à saúde dentro da carreira.
Os associados da ADPEP são incentivados a participar do levantamento nacional, disponível na plataforma do projeto da ANADEP.
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