Nos últimos anos, o açaí deixou de ser apenas um símbolo da biodiversidade brasileira e passou a ganhar espaço no agronegócio. Celebrado no dia 05 de setembro, mesma data do Dia da Amazônia, o fruto é um exemplo de como economia, cultura e produtividade podem caminhar juntas no país.
Segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considerando levantamentos da Pesquisa Agrícola Municipal e da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), a produção nacional atual supera 1,7 milhão de toneladas por ano e movimenta mais de R$ 1 bilhão em valor de produção.
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De acordo com os dados, o Pará concentra cerca de 85% do volume do fruto produzido no país, com quase dois milhões de toneladas cultivadas em aproximadamente 224 mil hectares. Além dele, Amazonas, Bahia, Maranhão, Rondônia, Roraima e Tocantins também participam da atividade, que vem acompanhando o avanço da demanda por alimentos associados à alimentação saudável.
Demanda cresce e cadeia busca novas soluções
Levantamentos da Embrapa realizado nos últimos anos apontam o crescimento próximo de 15% ao ano no consumo de açaí, tanto no mercado interno quanto no exterior.
Segundo os dados, essa expansão tem estimulado investimentos em estrutura, regularidade de fornecimento, qualidade e escala, além de abrir novas oportunidades para a cadeia produtiva brasileira.
Além disso, segundo analise de especialistas, a valorização do fruto também está ligada ao perfil nutricional dele. Considerado pelos nutricionistas um alimento funcional, o açaí reúne proteínas, fibras, lipídios, minerais e vitamina, além de apresentar baixo índice glicêmico.
Ao mesmo tempo que o consumo da polpa cresce, pesquisas também buscam aumentar o aproveitamento do resíduos do fruto, como o caroço, em alternativas para a produção de adubos orgânicos, carvão vegetal e até mesmo papel.
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Empresas aceleram internacionalização
Com esse crescimento do interesse pelo açaí, algumas empresas do setor de alimentação passaram a investir também na expansão da cadeia e na abertura de novos mercados. Nos últimos anos, empreendedores começaram a estruturar operações voltadas especificamente ao mercado externo, com investimentos em produção, logística e adequação dos produtos às exigências internacionais.
Na Europa, por exemplo, estratégias de internacionalização incluem o envio de polpas produzidas no Brasil, já com as licenças necessárias e parcerias com indústrias locais certificadas. Como explica especialistas do mercado, esse modelo permite desenvolver produtos de acordo com as preferências dos consumidores, atendendo consumidores de outros países.
Ainda segundo analise dos especialistas, essa expansão acompanha uma mudança na percepção do consumidor estrangeiro. Antes associado sobretudo ao exotismo da Amazônia, o açaí vem se consolidando como uma alternativa de alimentação saudável e funcional, aumentando o espaço do produto brasileiro no mercado internacional.
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