O Núcleo de Vigilância Epidemiológica (NVE) do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) alerta sobre a ocorrência de sarampo no município de Belém, bairro do Guamá. Há necessidade de alerta quanto à obrigatoriedade de notificação dos casos suspeitos, capacitações emergenciais, preparo das unidades de saúde para esse enfrentamento, vacinação em massa.
Antes disso, a partir dos casos confirmados, a Sespa realizou a vicinação de bloqueio viral de 216 pessoas.
Lembrar da definição de Caso suspeito de sarampo: todo paciente que, independente da idade e situação vacinal, apresentar febre e exantema maculopapular, acompanhados de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse, coriza e conjuntivite.
O diagnóstico laboratorial é feito com a solicitação de pesquisa de IgM até 28 dias do início do exantema.
Vivian Cartágenes (NVE HUJBB) lembra que o último caso de transmissão autóctone, não relacionada a casos importados, foi registrado em Mato Grosso do Sul, em novembro de 2000. Entre 2001 e 2005, foram registrados nove casos de sarampo todos relacionados a viajantes que adquiriram a infecção em outros países (Japão, Alemanha e Ilhas Malvinas).
>> Leia a Nota Técnica da Secretaria Estadual de Saúde Pública:
NOTA TECNICA CASOS SUSPEITOS DE SARAMPO DO PARÁ
Em 28 de julho, a coordenação de vigilância em saúde, no âmbito da vigilância epidemiológica foi notificada da ocorrência de um caso suspeito de sarampo, 19 anos, residente no município de Belém com data dos primeiros sintomas em 06/07. Após investigação, foram identificados mais dois contatos domiciliares (os dois com 26 anos) que adoeceram no dia 28/07 com quadro clínico compatível com a doença.
O caso índice teve resultado IgM reagente realizado em laboratório particular em 12/07, que foi a fonte notificadora para VE município de Belém. De acordo com o protocolo para investigação de casos suspeitos de doença exantemática associado à tentativa não exitosa de resgate desta amostra para re-teste, foi coletada uma 2ª amostra que foi enviada ao LACEN onde ratificou o resultado IgM reagente e realizado IgG reagente para sarampo (coleta dia 28/07), sendo que foram colhidas amostras biológicas para investigação laboratorial (identificação viral e diagnóstico diferencial sorológico para dengue, rubéola, parvovírus e oropouche).
Os outros dois casos foram notificados a partir da visita domiciliar realizada pelo município onde também foram coletadas amostras, sendo o resultado IgM não reagente para sarampo e IgG com altos títulos para a doença.
Em relação à situação vacinal, os casos não eram vacinados e em relação a deslocamento, nenhum deles se deslocou dentro do período de incubação/transmissibilidade da doença.
Foi realizado Bloqueio vacinal, vacinados 216 pessoas de modo seletivo nas faixas etárias recomendadas pelo guia de vigilância epidemiológica.
Considerando os fatos acima, em detrimento da situação epidemiológica do sarampo no País e no Estado, onde não se observam casos autóctones no país desde 2000, recomenda-se:
1. Manter a área sobre vigilância para ocorrência novos casos;
2. Avaliar coberturas vacinais e buscar faltosos na faixa etária de vacinação;
3. Sensibilizar as unidades de saúde públicas e particulares para a notificação e investigação oportunas e adequadas;
4. Na ocorrência de casos, coletar as amostras biológicas para realização da sorologia oportunamente e enviar ao LACEN/PA, laboratório de referência regional para as doenças de notificação compulsória, conforme a portaria 3252 GM/MS de 2010;
5. Realizar o bloqueio vacinal de modo seletivo na faixa etária de 06 meses a 39 anos conforme descrito no guia de vigilância epidemiológica;
6. Avisar as demais esferas de governo da ocorrência, de modo imediato, visto que a ocorrência de casos está na lista de doenças de notificação imediata pelo Regulamento Sanitário Internacional (RSI);
7. Garantir a cobertura vacinal com TRIVIRAL na faixa etária de 01 ano;
8. Garantir a 2° dose com TRIVIRAL na faixa etária de 4 a 6 anos;
9. Oportunizar duas doses da vacina TRIVIRAL para os menores de 20 anos;
10. Garantir na rotina do serviço uma dose da vacina DUPLA VIRAL para a faixa etária de 20 a 39 anos;
11. Intensificar junto a Atenção Básica (especialmente junto a ESF), a importância de fazer busca ativa dos não vacinados com TRIVIRAL na faixa etária de menores de 20 anos e com DUPLA VIRAL, na faixa etária de 20 a 39 anos;
12. Informar no SI/A|PI, as doses aplicadas das vacinas segundo as faixas etárias.
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