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Incêndio destrói fazendas no sul do Pará

Fogo, que começou no sábado, consome matas e pastagens de 3 fazendas e ameaça se alastrar   Invadida em janeiro de 2007 por sem-terras ligados à Fetraf (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar), e desde aquela época parcialmente em pode

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Fogo, que começou no sábado, consome matas e pastagens de 3 fazendas e ameaça se alastrar

Invadida em janeiro de 2007 por sem-terras ligados à Fetraf (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar), e desde aquela época parcialmente em poder de invasores, a Fazenda Vitória Régia, localizada no município de Santana do Araguaia, é hoje palco de um grande incêndio, que começou no último sábado e permanece fora de controle. Uma espessa nuvem de fumaça cobre hoje toda aquela área, prejudicando a visibilidade e causando problemas respiratórios aos seus moradores.

O fogo começou nas clareiras desmatadas pelos invasores, onde se amontoavam as folhagens e os resíduos florestais, e logo se alastrou, alcançando pastagens de propriedades vizinhas, como a Fazenda Ouro Verde e Quixadá. Na Ouro Verde, conforme revelou ontem em Belém o dono da Vitória Régia, Vitório Guimarães, as chamas destruíram completamente o retiro.

Num sobrevoo feito no domingo, apenas um dia depois de desencadeado o incêndio, o fazendeiro calculou que o fogo já havia se estendido por uma área de mais de quatro mil hectares, entre floresta nativa e pastagens. Naquela região, sul do Pará, o clima está muito seco e não chove desde maio, conforme frisou o empresário, que já havia alertado os órgãos ambientais sobre o risco de incêndio.

“Se eles (os invasores) tocarem fogo nos pastos, como estão ameaçando, ninguém vai conseguir mais controlar as chamas”, disse o fazendeiro em sua visita anterior a Belém, na primeira quinzena de julho. Vitório Guimarães, que há quase quatro anos vem lutando, na área administrativa e na esfera judicial, para tentar retirar os invasores de sua propriedade – a primeira a abrigar, no Estado do Pará, um projeto de reflorestamento.

O máximo que conseguiu, até hoje, foram liminares de reintegração expedidas pela Justiça, nunca cumpridas pelo Estado, e mais recentemente a aplicação de multa à governadora Ana Júlia Carepa, exatamente por descumprimento de decisões judiciais.

Vitório Guimarães disse que, do grupo que tomou de assalto a fazenda, não resta hoje mais um único invasor. Eles deixaram a área depois que retiraram parte da madeira da reserva legal e destruíram seu projeto de reflorestamento de terra.

A partir daí, já também com a suspensão das cestas básicas até então fornecidas pelo Incra, venderam os lotes que haviam demarcado e foram invadir outras áreas florestadas da região. A primeira vítima foi a fazenda Ouro Verde, vizinha à Vitória Régia, onde foram destruídos mais de cinco mil hectares de floresta nativa.

Essas invasões em ondas sucessivas, com a intensa comercialização de lotes e a chegada frequente de novas levas de invasores, tornam a situação rigorosamente fora de controle. Os novatos, quase todos pequenos e médios comerciantes estabelecidos na cidade, tratam sempre de ampliar seus domínios, abrindo novas frentes de ocupação com a derrubada a corte raso da mata virgem remanescente para a formação de pastagens.

O resultado disso é a destruição da flora, de uma área que deveria ser protegida como reserva legal, e a completa dizimação da fauna silvestre, enquanto caminhões carregados de toras vão abastecer as serrarias instaladas na sede do município de Santana do Araguaia.

Atualmente, conforme frisou Vitório Guimarães, os ocupantes de sua fazenda estão ganhando dinheiro com o aluguel de suas pastagens a um fazendeiro vizinho. De acordo com o seu relato, esse procedimento vem estimulando os invasores à prática de novos crimes, já que passam a ter uma nova fonte de renda fácil com o aluguel dos pastos pertencentes à fazenda Vitória Régia. (Diário do Pará)

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