A comerciante Elisani Macedo começa, a partir das 6h, a ceder a torneira da sua casa aos vizinhos. Essa rotina começou no último domingo no conjunto Providência: longas filas de baldes se formam na frente das casas que têm poço artesiano, única alternativa para conseguir água.
Em 15 minutos, o morador Rogério Matos já havia carregado oito baldes de água para sua casa. Segundo ele, os dias sem água prejudicam até a higiene. “Não dá nem para tomar banho direito”, conta. O que consegue pegar de água na casa dos vizinhos, a família de Rogério usa para necessidades mais urgentes, como fazer a comida.
Outra moradora, Heloísa Pacheco, conta que a família inteira se mobiliza para carregar água durante o dia. Ela diz que as dificuldades vão desde a preparação da comida até a lavagem da roupa. “Tem muita roupa suja. Até as fraldas do meu filho não está dando para lavar”. Os moradores dizem que o problema de falta de água não é novidade, mas que nunca tinham passado tantos dias sem o serviço. “Está sendo um sufoco, sofremos muito com esse problema aqui”, reclama a diarista Scheila da Silva.
Scheila armazena a água que carrega em um camburão nos fundos de sua casa. A caixa de água que possui nunca fica cheia. Em dias comuns, ela conta que a água só chega nas torneiras mais baixas e, mesmo assim, a qualidade não é boa. “É muito suja. Para beber e fazer comida temos que comprar água mineral”.
A solução é apelar para a solidariedade. O morador Osvaldo Magno diz que mandou construir poço artesiano em sua casa justamente por causa das constantes falta de água. “Sempre passamos por esse problema, fiz o poço pensando nisso”. Agora ele cede água durante todo o dia para os vizinhos. “Ontem (segunda) as pessoas pegaram água das 6h até as 23h”.
O DIÁRIO entrou em contato com a assessoria da Cosanpa, que ficou de enviar nota sobre o assunto, o que não aconteceu até o fechamento desta edição.
DESPERDÍCIO
A quantidade de água desperdiçada chamava bastante atenção de quem passava ontem pelo cruzamento da avenida João Paulo II com travessa Angustura, no Marco. Segundo os moradores, o vazamento começou por volta das 9h, deixando algumas casas com a pressão da água baixa, mas sem faltar com o serviço.
>>Tubulação quebrou na esquina da João Paulo II com Angustura. Foto: Ney Marcondes
Para resolver o problema, funcionários da Cosanpa foram chamados e tiveram de quebrar o asfalto e, literalmente, mergulhar até detectar o local onde a tubulação estava quebrada. Além disso, tiveram de esperar até 22h para começar o conserto, pois não poderiam fazê-lo enquanto a maioria da população estivesse necessitando do serviço.
“A tubulação rompeu e agora vamos consertar, mas ainda não sabemos as causas. Como não podemos deixar a população sem água, resolvemos concentrar o trabalho no final da noite e início da madrugada, justamente para que amanhã (hoje) de manhã todos possam acordar com o serviço restabelecido”, garantiu a gestora da Unidade de Negócio Norte da Cosanpa, Cleide Ferreira. A previsão de conclusão dos trabalhos ficou para a partir das 2h. Cleide também garantiu que nenhuma estrutura seria abalada por conta do vazamento.
A tubulação faz parte da rede que abastece os bairros do Marco, Souza e Curió-Utinga. Durante a tarde, no local, enquanto os trabalhadores e engenheiros esperavam o tempo passar, comerciantes e moradores reclamavam da situação. “É muito complicado, mesmo. A água ainda não faltou, mas vai saber por quanto tempo vamos ficar sem ela quando começarem o serviço e até terminarem”, comentou o aposentado Miguel Santos. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar