Promotora considerou que procedimentos dos médicos foram corretos. A família de Lana Carla Pimenta, a jovem cuja história de um suposto sumiço do bebê no momento da cesariana ganhou notoriedade nacional, pretende entrar com um recurso contra a decisão da Justiça de arquivar o processo por insuficiência de provas. A orientação partiu dos advogados que prestam assistência à família. “Vamos recorrer”, disse o advogado Francisco Dragod.
O pedido de arquivamento do processo foi feito pela promotora Lúcia Rosa da Silva Bueno, no último dia 09 de agosto. O pedido foi acatado pela juíza Ângela Tuma. Com isso, ficam mais difíceis as chances de Lana Pimenta conseguir algum tipo de indenização, como vinha requerendo.
Lúcia Bueno considerou que não havia no processo indícios suficientes para que os médicos Raimundo de Góes Castro Neto e José Maria Negrão Guimarães fossem acusados de lesão corporal. Góes foi o médico que atendeu Lana na Santa Casa no dia 22 de abril de 2010. Na consulta verificou que Lana Carla não tinha nenhum tipo de dilatação e não apresentava contração forte de trabalho de parto. Por conta disso, encaminhou-a para a Maternidade do Povo, já que não havia urgência. Guimarães foi o médico que a atendeu.
Ao examinar Lana, Guimarães constatou que os batimentos fetais estavam inaudíveis e que o feto poderia estar sentado. Como já passava dos nove meses de gravidez poderia estar ocorrendo algum problema mais sério. O procedimento adotado por ele foi imediato. Fazer a cesariana. Foi na sala de cirurgia que se constatou que não havia bebê algum.
“O procedimento do médico foi correto”, avalia a promotora. “Se ela estivesse com um bebê e perdesse a criança, seria responsabilizado por isso”. Lúcia Bueno fez diversos questionamentos em relação ao processo e às argumentações de Lana Carla. Um dos principais foi ao fato dela não ter feito nenhuma menção de que em fevereiro sofreu um forte sangramento e muita dor de cabeça por três dias, só relatando o fato em maio de 2010, depois da realização dos exames e perícia médica legal, que confirmaram a ausência de gravidez.
Lana afirma que comunicou o sangramento à enfermeira Ana Maria, e que ela teria afirmado que era normal, não tendo feito nenhuma anotação no cartão de atendimento de Lana Carla. “Acreditar que isso foi feito em papel separado fica difícil, já que o cartão foi apresentado em todas as consultas”, diz a promotora.
“Foi feita a justiça”, resumiu o médico José Guimarães, que relatou ter passado momentos difíceis por conta da repercussão do caso. “O apoio que tive foi de minha família, meus amigos e meus pacientes”, disse.
“Estou indignada”, rebateu Maria Pinheiro, mãe de Lana Carla. Ela pretende conversar com a juíza e a promotora para saber por que o caso foi arquivado. “A Justiça brincou com a gente”, reclama. “Eu me sinto como se tivesse sido tratada como um animal”, diz Lana Pimenta. “Às vezes penso em pôr uma pedra no assunto, entregar na mão de Deus, mas não seria justo. Por isso vamos recorrer da decisão”. (Diário do Pará)
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