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Gaste somente o que você pode

A dona de casa, Esmeralda Melo, 50 anos, evita a compra por meio do crédito. Fica receosa por um motivo. “No cartão, você corre o risco de perder o controle dos gastos. Hoje, só tenho um (cartão). Já tive vários”, disse, enquanto comparava roupas em uma l

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A dona de casa, Esmeralda Melo, 50 anos, evita a compra por meio do crédito. Fica receosa por um motivo. “No cartão, você corre o risco de perder o controle dos gastos. Hoje, só tenho um (cartão). Já tive vários”, disse, enquanto comparava roupas em uma loja do comercial.

Luana Melo, estudante, 20 anos, vive um dilema parecido. Quando pode, prefere optar por adquirir produtos usando a opção do débito do cartão – quando o saque do valor da compra é imediato. “Mas, às vezes, o valor é alto. Aí eu acabo optando pelo crédito para dividir as parcelas”, esclareceu. “É um perigo, porque você está sujeita a perder o domínio dos teus próprios gastos”, enfatizou.

Duas estórias, duas consumidoras e um perigo relacionado à educação do consumo, hipótese ventilada por Mustafá Morhy Junior, economista. “Precisamos gastar exatamente de acordo com o nosso poder de compra. Assim, manteremos o orçamento sob controle”, ensinou.

Mustafá, que exerce a função de diretor do Serviço de Proteção ao Crédito da Câmara de Dirigentes Lojistas, ensina que o endividamento saudável é o que beira os 15% do rendimento salarial do trabalhador.

“O crédito não é vitamina, é mais um remédio”, crê. Segundo ele, um número é alarmante. Trata-se do índice de inadimplência no setor de compra. “Se a gente comparar os períodos de janeiro a julho deste ano, com relação ao mesmo período de 2009, vamos constatar que a inadimplência subiu 13,8%”, assustou-se.

Janeiro, fevereiro, março, além de agosto são os meses propícios para a análise do comportamento do consumidor. “São épocas sazonais. Em agosto porque em geral as pessoas viajam em julho. E gastam... E os três primeiros meses porque há os gastos do final do ano, os pais gastam com material escolar, por exemplo”, explicou.

Não estourar o orçamento pessoal também é uma dica de Oberdan Duarte, diretor do Sindicato dos Economistas (Sindecon): “63% dos compradores não conseguem honrar as dívidas e 10% não sabem nem como quitá-las”, frisou. Duarte disse que a estratégia lojista de aberturas de linhas de créditos pode ter um efeito de um verdadeiro vilão. “Muitas pessoas estão tendo acesso mais fácil às compras. Eram pessoas que não estavam acostumadas, não tinham noção de consumir. Por isso é preciso cuidado”, explicou. Duarte recomendou planejamento, por meio de reuniões de família, para a prática que denominou de ‘racionalização dos gastos’.

Jorge Colares, presidente do Sindlojas, esclareceu o consumidor acerca das promoções, aparentemente atrativas dos comerciantes. “Quando as lojas dão um desconto de 70%, não é o que o desconto seja de 70%. É excesso de estoque. Na maioria das vezes, a loja não tem prejuízo. Digamos que empata. Às vezes, perde. Mas em menor proporção”, afirmou, sobre a relação gasto e lucro. (Diário do Pará)

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