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Uma vida interrompida pelo destino e pela dor

No centro da sala, em destaque entre os móveis simples da casa de alvenaria mal acabada, uma adolescente sorri, vestida de dourado, entre amigos e familiares. É uma festa de 15 anos e Lana Carla Silva Pimenta estava feliz. Era feliz. Cinco anos depois, La

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No centro da sala, em destaque entre os móveis simples da casa de alvenaria mal acabada, uma adolescente sorri, vestida de dourado, entre amigos e familiares. É uma festa de 15 anos e Lana Carla Silva Pimenta estava feliz. Era feliz. Cinco anos depois, Lana quase não sai de casa. Não tem emprego, deixou de estudar- embora ainda queira fazer vestibular para Matemática- e praticamente não se diverte mais. Lana passou o primeiro semestre envolvida em um caso que ganhou repercussão nacional. O filho que teria desapareceu, segundo ela, na mesa de uma cirurgia cesariana. Nos últimos dias, o processo foi arquivado pela Justiça paraense. Lana não se conforma. “Me sinto como se fosse um animal”, diz.

Os últimos meses foram divididos em acompanhamentos psicológicos na Unama e na tentativa de obter uma indenização, uma reparação ao que ela diz ter sido uma série de erros médicos. É uma história que remete a dezembro de 2009, quando Lana procurou a Unidade de Saúde da Marambaia para tratar de uma alergia. De uma segunda vez, foi perguntada sobre a menstruação. Estava atrasada. “Você pode estar grávida”, ouviu.

Dessa primeira informação até o momento em que foi levada a fazer a cirurgia cesariana, em abril de 2010, que constatou não haver um bebê dentro dela, há um universo inteiro de mistérios, perguntas não respondidas, dúvidas não esclarecidas e uma certeza: Lana Carla Pimenta não será mais a mesma.

“Eu entro num ônibus e percebo que as pessoas começam a me apontar e cochichar. Aí eu desço e pego outro ônibus”, diz ela. “De casa quase não saio mais. Fui à feira outro dia com a minha mãe comprar peixe e quase todo mundo ficava perguntando se eu não era a moça da gravidez psicológica. Eu não tive gravidez psicológica”, diz Lana.

Para quase todos, é difícil de acreditar em Lana. Há contradições nos depoimentos dela, como mostra o inquérito policial. Um sangramento aos sete meses de gravidez não foi relatado. As explicações não soaram convincentes.

Pelo menos essa foi a avaliação da promotora Lúcia Rosa da Silva Bueno, que pesquisou sobre histórias semelhantes, estudou o caso, consultou o processo diversas vezes. “Não há indícios que realmente comprovem a culpa dos médicos no caso. Eles não tinham outra opção, a não ser fazer o procedimento”, resume a promotora. Por conta disso, foi pedido o arquivamento do processo. Aceito, de imediato, pela juíza Ângela Tuma.

Maria Pinheiro, 43 anos, a mãe de Lana, não se conforma. “Estou indignada”, disse ela, sentada ao lado de Lana Carla na noite em que soube do arquivamento do processo. “A Justiça brincou com minha filha”, afirma. (Diário do Pará)

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