O Brasil é o país campeão no consumo de agrotóxicos em lavouras, segundo informações do Censo Agropecuário 2006, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Foram vendidos cerca de 673 milhões de toneladas de defensivos químicos, entre herbicidas, fungicidas e inseticidas, comercializados por cerca de seis corporações transnacionais.
A má utilização acarreta sérios riscos à saúde como asma, problemas nos sistemas nervoso, gastrointestinal e circulatório, câncer nos lábios, estômago, cérebro, pele, próstata, entre outras, tanto para quem aplica quanto para quem consome alimentos produzidos com defensivos químicos. Além de trazer danos à saúde, os produtos envenenam o solo, a água, e podem não matar a praga em questão.
Poucas pessoas sabem da existência de uma agricultura que se desenvolve nas áreas urbanas. Na Região Metropolitana de Belém estima-se que haja cerca de 50 mil produtores urbanos. Ainda existem agricultores na região das ilhas e na região rural dos municípios.
Para o engenheiro agrônomo, professor e pesquisador da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Sérgio Brazão e Silva, “a utilização de defensivos químicos é inadmissível neste ambiente densamente habitado. A solução para esse problema é a utilização de defensivos de caráter orgânico no lugar dos químicos”.
Dessa forma, visando impedir a utilização de agrotóxicos em área urbana e dar alternativa sustentável ao agricultor, o professor Sérgio Brazão elaborou uma cartilha intitulada “Defensivos Orgânicos”, na qual oferece receitas de vários defensivos testados com bons resultados e que não agridem o ambiente nem causam problemas ao homem.
FÁCIL MANIPULAÇÃO
Além dos benefícios já mencionados, os defensivos orgânicos são de fácil manipulação. Feitos com materiais existentes na natureza, possuem extensa utilização e aceitação, sendo muito recomendados para pequenas áreas. Outra qualidade do defensivo orgânico é o preparo pelo próprio agricultor, com um custo reduzido quando comparado aos produtos comerciais, além da garantia de um vegetal mais saudável.
No entanto, para obter sucesso é recomendado que o produtor mantenha vigilância e persistência no acompanhamento à reação das pragas ao defensivo aplicado. “Não basta somente confiar na aplicação do defensivo, mas no manejo que a família vai usar. É preciso vigiar, fiscalizar, aplicar repetidas vezes até a erradicação. E também o teste de diversos defensivos até encontrar o ideal para cada caso” orienta o professor.
Segundo o professor Sérgio Brazão, a eficácia do produto é bastante alta, já que áreas relacionadas à agricultura familiar são pequenas. Esses ambientes permitem que se veja de perto a eficácia.
RECEITAS DE DEFENSIVOS NATURAIS
RECEITA DE PASTA DE PIMENTAS
Um exemplo de receita de defensivo orgânico é a Pasta à base de Pimentas, que age sobre diversos insetos. Deve-se amassar pimentas de cheiro e malagueta com socador, despejar água até cobrir o material, coar, acrescentar sabão dissolvido e água de modo a obter solução a ser pulverizada. Pode-se ainda não acrescentar água e empregar a pasta aplicada com pincel no tronco de árvores.
COMO OBTER A CARTILHA
À venda na editora da Ufra (avenida Perimetral, nº 2501, no bairro da Terra Firme). Preço: R$ 5. Para mais informações e receitas de defensivos naturais, faça contato por e-mail: sergio.brazao@ufra.edu.br. (Ufra)
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