Já imaginou passar mais de dois meses sem água em casa? Pois essa é a realidade de moradores do bairro Pratinha II, que vivem dias difíceis por problemas no abastecimento. Os hábitos das pessoas já foram alterados, há até quem tenha deixado outros afazeres de lado para carregar água para casa.
Na casa de Lucidéia Ferreira, que mora na rua Imperador há cerca de 15 anos, em nenhuma das torneiras há água. No quintal, ela tentou outra medida: cortar o cano para ver se conseguia um pouco do líquido, mas foi em vão. “Não tem nada de água. O jeito é carregar balde o dia inteiro”, conta.
A vizinha ao lado também cortou o cano sem sucesso. Até mesmo poço artesiano já tentaram construir, mas não conseguiram. A solução é caminhar quase três ruas para conseguir água. “Às vezes pagamos R$ 1 para alguém ir buscar um balde de água. Já cheguei a gastar até R$ 10 por dia”, diz a moradora Aline Conceição.
E o pouco de água que os moradores conseguem dá apenas para as necessidades mais básicas. “Só mesmo para fazer comida e tomar banho”, conta. Para lavar a roupa, a moradora já chegou a carregar a máquina de lavar até o local onde pegam água, uma casa na Passagem Piedade, onde há um poço artesiano.
Na torneira do lado de fora da casa, uma fila de baldes e garrafões se forma todos os dias. “Ficamos dependendo do vizinho para conseguir água. Passo a manhã e a tarde enchendo água. Tem gente que chega a faltar no trabalho porque precisa carregar água”, afirma Maria de Lourdes Gonçalves, moradora do local há 12 anos.
ANTIGO
As pessoas até já desenvolveram técnicas de transporte: carrinhos de bebê são utilizados para comportar os baldes e garrafões de água. “São duas torneiras para a comunidade toda, é muito difícil. A casa é longe, temos que caminhar no sol, tem gente que já sente até dor na coluna”, conta Maria.
Segundo os moradores, o problema é antigo. “Temos água por uma semana e depois passamos quase três meses sem nada”, reclama Aline.
A reportagem entrou em contato com o Saaeb (Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Belém) e foi informada que a pessoa que poderia dar um posicionamento sobre a questão não estava e não se sabia se ainda voltaria para o órgão. (Diário do Pará)
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