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Dia do Nutricionista tem orientação a consumidores

Há dois anos, após realizar uma delicada cirurgia no coração, a aposentada Alice Marques precisou mudar todos os hábitos alimentares. Consumidora assídua de doces, ela agora passa direto para a seção de dietéticos. “No começo foi difícil abandonar os refr

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Há dois anos, após realizar uma delicada cirurgia no coração, a aposentada Alice Marques precisou mudar todos os hábitos alimentares. Consumidora assídua de doces, ela agora passa direto para a seção de dietéticos. “No começo foi difícil abandonar os refrigerantes e diminuir o consumo de carne. Mas agora eu convenci até o meu filho e a família toda está mais saudável”, garante.

Para orientar os consumidores da capital paraense sobre como se alimentar de forma correta, o Conselho Regional de Nutricionistas começou ontem uma ação educativa em supermercados. A iniciativa envolve cerca de 150 profissionais da área e acontece por causa do Dia do Nutricionista, comemorado hoje.

“Queremos habituar a população a escolher produtos mais saudáveis e instrui-la sobre os corretos procedimentos durante as compras”, diz a nutricionista Sandra Picanso. Segundo ela, o consumidor deve seguir uma ordem na hora de colocar a comida no carrinho. “Primeiro ele deve pegar os alimentos secos, como feijão e arroz, seguidos pelas hortifrutas e por último os refrigerados”. Dessa forma, evita-se a putrefação antecipada dos produtos.

Durante as abordagens, a equipe de nutricionistas constatou que o público paraense está mais preocupado com os hábitos alimentares, mas ainda comete alguns erros por falta de atenção. “Muitas pessoas realizam compras de forma aleatória, sem analisar o produto que leva pra casa”, explica. Recordistas de vendas nos supermercados, os congelados e enlatados merecem atenção especial. “Quem tem hipertensão, por exemplo, deve evitar esse tipo de alimento, que contém muito sódio”, diz Sandra.

Antônio dos Anjos, autônomo, parabenizou a iniciativa e ouviu atento os conselhos dos profissionais. “Minha esposa tem diabetes e eu sempre ficava em dúvida sobre o que podia ou não levar para ela. Agora já sei o que faz mal à saúde”, afirma.

O projeto de orientação nutricional acontece até amanhã, em cinco supermercados de Belém. As profissionais estarão à disposição do público de 8h às 20h.

Obesidade preocupa os especialistas

Hoje em dia um dos maiores problemas de saúde pública é a obesidade. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 35,8% das meninas brasileiras se declaram “muito gordas” e 21,5% dos meninos também se consideram “muito gordos”. Essa pesquisa foi realizada com adolescentes do 9º ano do ensino fundamental das 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.

Para a nutricionista Rosilene Reis, esse índice é muito preocupante nessa fase de idade. Segundo ela, existem costumes adquiridos desde a infância que podem gerar alguma morbidez ou doenças crônicas. “Os hábitos alimentares não saudáveis são um dos principais fatores que levam a esse tipo de problema”, comenta.

Além das doenças ligadas ao excesso de peso, ainda existem outros tipos de problemas que podem ser ocasionados pela má alimentação. Crianças e adolescentes que estão em fase de crescimento podem ter o seu processo retardado por causa da alimentação inadequada. Segundo Reis, as crianças acima do peso correm o risco de crescer somente 80% do ideal. “A criança que não se alimenta bem acumula tecido adiposo, o que acaba ocasionando o não crescimento”.

Além de problemas físicos, o excesso de gordura pode trazer diversos transtornos à saúde mental. Para o psicólogo José Maria Lages, o adolescente gordo de hoje pode se tornar o adulto obeso de amanhã. “Quando nos alimentamos mal, esse processo afeta nosso desenvolvimento, ocasionando assim problemas futuros”, diz.

De acordo com Lages, a obsessão por alcançar o corpo ideal tem se tornado patológico. “Quando se perde o equilíbrio e a busca por conseguir o peso ideal se torna o principal motivo de viver, isso já sinaliza um distúrbio”, afirma.

Para Lages, o preconceito gera um sofrimento muito grande ao adolescente que ainda está no processo de formação de caráter, o que acaba ocasionando a exclusão desse cidadão da sociedade. “O fato de se olhar no espelho e se enxergar ‘deformado’, faz com que o próprio adolescente se exclua”, finaliza. (Diário do Pará)


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