Para uma pessoa saudável são apenas alguns minutos para um cadastro e a retirada de uma amostra de sangue. Para quem aguarda por um transplante é a possibilidade do fim da espera, a esperança de cura. Esperança para pessoas como Matheus Corrêa, 5 anos de idade, que há quase três meses vive uma batalha contra o câncer.
Matheus foi diagnosticado com leucemia mieloide, do sub-tipo 5, um dos mais graves da doença. Ele reage bem ao tratamento, mas precisa encontrar um doador compatível para tentar se livrar de vez da doença. Assim como Matheus, milhares de pessoas também alimentam a esperança de encontrar um doador.
Para ajudar pessoas nessa situação foi criado o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), gerenciado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Ele concentra os registros dos doadores voluntários de medula óssea. No Pará, o Hemopa já faz a coleta e cadastro de doadores há oito anos.
Ser um doador voluntário de medula é simples e não representa nenhum perigo para o doador. É necessário apenas preencher um cadastro com dados pessoais e fazer coleta de uma amostra de sangue. A partir daí é feita uma tipagem do sangue e o resultado é encaminhado para o Redome. Caso haja algum paciente compatível, o doador é chamado para fazer novos exames que irão verificar se o transplante será possível.
Ana Luiza Meireles, responsável técnica pelo Banco de Cordão Umbilical do Hemopa, explica os requisitos para se tornar um doador voluntário de medula óssea. “Basta ter entre 18 e 55 anos e boa saúde”. Os interessados devem se dirigir até a sede do Hemopa para fazer o cadastro. Atualmente, aproximadamente 33 mil pessoas no Pará já estão cadastradas.
A médica afirma que um maior número de pessoas cadastradas é importante, pois a probabilidade de compatibilidade entre os doadores e os pacientes é muito pequena. Para que o transplante seja realizado, é preciso ter acima de 90% de semelhança entre a medula do paciente e do doador. Segundo Ana Luiza, um dos fatores responsáveis pode ser a miscigenação do povo brasileiro, que dificulta encontrar semelhanças. Para ter uma ideia da dificuldade, a probabilidade de encontrar alguém compatível dentro de uma família é de 1 para cada 10 mil. No Pará, este número sobre de 1 a cada 100 mil. No Brasil, a probabilidade é de 1 para cada 1 milhão.
TRANSPLANTE
Caso haja compatibilidade entre doador e paciente, o primeiro é comunicado para que possa fazer os exames complementares. Caso seja compatível, a pessoa se dirige até um dos centros de transplantes para fazer o procedimento.
Ana Luiza esclarece que a medula é retirada em um procedimento simples e sem dor. Existem dois tipos de fazer a coleta: em um deles o doador toma um medicamento que faz com que as células migrem para a circulação e sejam retiradas em uma coleta de sangue. Outra maneira é fazer a coleta direto, quando o doador é anestesiado e o médico faz um punção no osso da bacia. “O doador não vai sentir nada e se recupera rapidamente”, diz.
CORDÃO UMBILICAL
O transplante também pode ser realizado por meio de células-tronco encontradas no cordão umbilical, que é descartado após o parto. A previsão é que ainda este ano, comece a funcionar em Belém um Banco de Cordão. A médica explica que as mães vão poder se cadastrar para doação antes do parto ou quando chegarem para ter o bebê.
A coleta do cordão será feita em convênio com duas maternidades públicas e o material recolhido será destinado para doação. Para ser doadora voluntária de sangue de cordão umbilical e placentário, a mãe precisa ter entre 17 e 37 anos de idade e o bebê não pode nascer com menos de 2kg e ser portador de alguma doença genética.
DOAÇÃO
Marcelo Silva foi o primeiro doador do Estado. Ele se cadastrou para ser doador voluntário em 2002 e, cinco anos depois, foi chamado por ser compatível com um paciente. “Me sinto realizado em ter ajudado uma pessoa. Quando soube que era compatível fiquei imensamente feliz”, conta.
O doador incentiva as pessoas a fazerem o cadastro e diz que gostaria muito de conhecer a pessoa que recebeu sua medula. “Tento mostrar para as pessoas que não é um ‘bicho de sete cabeças’, não precisa ter medo. O meu maior sonho é saber quem é a pessoa que ajudei”.
A família de Matheus, que aguarda pelo transplante, também pede a ajuda das pessoas para que se tornem doadoras. “Algumas pessoas ainda são mal informadas sobre o assunto, falta esclarecimento. Você não fica sem um pedaço do corpo, essa é uma das melhores doações que existem porque você doa vida em vida”.
SERVIÇO
Quem quiser se tornar um doador de medula óssea pode se dirigir até a sede do Hemopa, localizado na travessa Padre Eutíquio, 2109.
O Redome funciona de 07h às 13h. Para o Banco de Cordão, o horário de funcionamento é de 07h às 18h. Para maiores informações: 3242-9100. (Diário do Pará)
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