Foram realizadas, nesta segunda-feira (4) as duas primeiras cirurgias de implante coclear da Região Norte. As operações aconteceram no Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS), da Universidade Federal do Pará, em Belém. O implante possibilita que pessoas com surdez profunda e severa voltem a ouvir, ou seja, tenham novamente a oportunidade de redescobrir o mundo dos sons.
O implante coclear, conhecido popularmente como "ouvido biônico", é realizado em pacientes pós-linguais, isto é, que perderam a audição, mas aprenderam a falar e possuem memória auditiva. Trata-se de um dispositivo eletrônico que capta os sons e transmite-os ao cérebro, por eletrodos.
Pioneirismo
As cirurgias iniciaram às 9h da manhã. “É um serviço de alta complexidade e estamos muito felizes por ter chegado ao Pará, primeiro e único Estado da Região Norte a fazer esta operação”, diz o doutor José Cláudio Cordeiro, professor e coordenador do serviço e da Residência Médica de Otorrinolaringologia do HUBFS.
Os implantes foram realizados em uma mulher de 32 anos e em um rapaz de 18, residentes em Paragominas e em Curuçá, respectivamente. Eles perderam a audição de modo diferente. “A paciente ficou surda após uma infecção pós-parto e a surdez do rapaz foi consequência de gripe forte, labirintite e tontura", explica o médico. "Nós, da equipe médica, escolhemos os dois casos por sabermos que o implante coclear propiciará uma melhoria imensa na qualidade de vida de cada um deles”, analisa.
Além da equipe multiprofissional da UFPA, participaram da cirurgia o professor doutor Robinson Koji Tsuji, presidente da Central Brasileira de Implante Coclear e coordenador do Grupo de Implante Coclear, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC- FMUSP); e a doutora Valéria Goffi, fonoaudióloga responsável pelo Grupo de Implante Coclear do HC-FMUSP.
A cirurgia de implante coclear é considerada pela Organização Mundial de Saúde como a segunda cirurgia que proporciona melhor qualidade de vida ao usuário, acima, inclusive, do marca-passo cardíaco. “É uma cirurgia de alta complexidade que beneficia – e muito! – a todos que perderam a audição ou que nasceram sem ouvir”, informa o professor José Cláudio. “Com o teste da orelhinha, obrigatório em todo o Brasil, vamos ter a confirmação de que a cada mil crianças, três nascem com deficiência auditiva”, afirma. (As informações são da UFPA)
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