Operários de um canteiro de obras da construtora Gafisa interditam novamente a avenida Conselheiro Furtado, entre a avenida Alcindo Cacela e a travessa 14 de Março, desde o início da manhã desta terça-feira (19). Os trabalhadores pedem uma resposta da empresa sobre o pagamento dos salários atrasados e sobre a falta de segurança nas construções.
Segundo Aílson Cunha, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Imobiliária do Pará, os operários farão o bloqueio da via até receberem uma resposta da Gafisa, que não se pronunciou até agora. “A Gafisa mais uma vez não dá uma posição sobre nossos salários e sobre a questão da segurança. Vamos ficar aqui até termos uma posição sobre melhores condições para trabalhar", disse ele.
“Já aconteceram muitos acidentes só nesse ano, e vários companheiros nossos já morreram, inclusive nessa obra. Apelamos para a Superintendência Regional do trabalho (SRT), mas nada foi feito”, afirmou ele.
Trânsito
A Polícia Militar está no local e tenta desobstruir a via, que foi bloqueada pelos mais de 800 trabalhadores da obra com contêineres. Por conta do grade fluxo de veículos que transitam na avenida diariamente, um grande congestionamento se formou nas vias em torno do cruzamento da Conselheiro com a Alcindo Cacela. A rua dos Pariquis e a avenida Almirante Barroso também estão com trânsito lento por conta do protesto.
Caos na manhã de ontem
Ontem, a manifestação teve início às 6h30 e deixou o trânsito no local bastante lento. Agentes da Companhia de Transportes do Município de Belém (Ctbel) precisaram desviar o trânsito pela Alcindo Cacela.
O atraso no pagamento dos salários dos trabalhadores foi o que motivou o protesto. Aílson Cunha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém, afirma que os atrasos são constantes. “Os salários deveriam ter sido pagos na sexta-feira passada (15)”.
Além do problema dos pagamentos, o presidente conta que o protesto também se deve à falta de uma política de segurança. “De janeiro a setembro deste ano tivemos mais de 400 acidentes e 4 mortes no setor da construção civil”, diz. Aílson também lembra que na própria obra onde os trabalhadores protestaram, uma pessoa morreu ano passado, vítima de um acidente de trabalho.
De acordo com os trabalhadores, faltam equipamentos de segurança na obra. “O material de segurança é sucateado, antigo e trabalhamos até sem luva. Técnico de segurança do trabalho é muito difícil da gente ver na obra”, conta um dos funcionários, que preferiu não se identificar.
Para liberar a via, os trabalhadores queriam que a empresa se comprometesse a pagar os salários ontem mesmo, caso contrário, não retornariam ao trabalho e voltariam para suas casas. Por volta de 9h30, uma comissão de trabalhadores foi recebida por diretores da empresa. Ao final da reunião, os trabalhadores não entraram em acordo com a Gafisa. (Nayara Ferraz, DOL, com informações do Diário do Pará)
>> Atualizada às 8h30
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