Ao andar pelas ruas do centro de Belém é fácil observar a abordagem aos consumidores de pessoas oferecendo adesão a cartões de crédito. Até mesmo ao abrir conta em um banco, o cartão já vem vinculado com alguma rede de crédito. Isso demonstra a facilidade de ter um cartão, mas não mostra muitos transtornos que este pode acarretar. Segundo a diretora em exercício do Procon, Carla Barbosa, o 2º maior número de reclamações que o órgão recebe é sobre dificuldades com o cartão de crédito.
“De 2009 até outubro, o Procon recebeu cerca de 7.500 reclamações no Pará, que abrangem todas as operadoras de cartão”, conta. As reclamações só perdem para produtos avariados ou com mal funcionamento. Desde o mês de março, a autônoma Dulce Torres tem tido dificuldades no pagamento do seu cartão. Portadora de necessidades especiais, Dulce afirma que as parcelas, quando chegam, é depois da data de vencimento, tendo que pagar 2% de atraso mais os juros diários. “Houve vezes em que as faturas sequer chegaram em casa. Precisei ligar para a operadora para pedir um código de barras, tendo que me deslocar até o banco para fazer o pagamento”, afirma.
Para a autônoma, o pior é não saber o que realmente está pagando, pois o atendente lhe dá um valor e disponibiliza o preço a ser pago. “Há uma opção para que o próprio atendente me diga o que estou pagando, mas isso não deixa de ser inconveniente, e me faz perder tempo”, ressalta. Quando entra em contato com a operadora de seu cartão, Dulce é informada que o atraso é por conta de problemas com os Correios. “Sempre telefono para os Correios, e sou informada que a fatura ainda não chegou até eles. Ou seja, o problema na verdade é com a operadora”, completa.
CANCELAMENTO
Sobre os pedidos de cancelamentos dos cartões, a diretora em exercício do Procon informa que a legislação exige que o pedido deve ser atendido imediatamente, independente se o cliente tiver ou não débito no cartão. A negociação pode ser feita na hora do cancelamento ou depois.
“É recomendável que durante o cancelamento, a pessoa guarde consigo o número do protocolo, para no caso de haver algum problema futuro, poder ter acesso à gravação”, explica a diretora.
Se a operadora apresentar problemas na hora de fazer o cancelamento ou a negociação, o cliente deve procurar os órgãos de defesa do consumidor, através do Procon ou do Ministério Público, e dependendo do transtorno ou prejuízo, pode-se recorrer a uma ação judicial. (Diário do Pará)

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