Graças a Deus ninguém da minha família pegou malária”, diz Francinete, enquanto embala o filho pequeno na rede durante a travessia entre os municípios de Curralinho e Oeiras do Pará. É madrugada e a preocupação são os mosquitos que incomodam o sono do menino e dos demais passageiros da embarcação. O temor de Francinete, grávida, faz sentido. Desde janeiro, quase a metade da população do município de Oeiras do Pará, no nordeste paraense, contraiu malária. Foram aproximadamente 12 mil casos para uma população de pouco mais de 25 mil pessoas. Em algumas casas, todos os moradores foram vítimas da doença. Muitos já atingiram a impressionante marca de onze repetições de malária no corpo.
“O município é muito grande, com vários rios, comunidades dispersas e de difícil acesso. Tudo isso dificulta o atendimento”, diz Cláudio Cardoso, técnico do Departamento de Controle de Endemias da Secretaria de Saúde do Estado (Sespa), deslocado de Belém para acompanhar de perto o trabalho das equipes que lutam para debelar o mal, principalmente na área rural de Oeiras do Pará.
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