Com a seca e redução do nível das águas dos rios na Amazônia, o peixe-boi fica mais vulnerável à caça. Somente nesta semana, aumentou o número de denúncias de caça do animal nos municípios amazonenses de Autazes, Silves, Coari e Tefé, segundo a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa).
De acordo com o médico veterinário da Ampa, Anselmo d’Affonseca, de 4 a 9 animais estão sendo abatidos por dia em Silves. 'Isso é preocupante pois deve estar acontecendo em toda a bacia amazônica”, enfatizou.
Na última segunda-feira (25), uma equipe da Ampa, Polícia Civil, Batalhão Ambiental, Secretaria de Meio Ambiente do Município de Autazes e representantes da colônia de pescadores fizeram uma ação de conscientização no município, após denúncias de caça ao peixe-boi em um lago. “Fomos avisados de que um lago próximo à colônia dos pescadores de Autazes secou muito e os animais estavam expostos, sendo vítimas de caça. Então, mobilizamos essa equipe para fazermos a fiscalização e conscientização ambiental, a fim de proteger essa espécie”, explica o diretor da Ampa, Jone César Silva.
Estiagem
Em período de seca, como esclarece Silva, os peixes-bois migram para lagos profundos aguardando a enchentes; entretanto, em secas mais severas, como está ocorrendo esse ano, os animais ficam muito mais vulneráveis ao abate. “Historicamente, o peixe-boi amazônico é alvo de caça, por ter um grande interesse comercial, devido a sua carne, gordura e principalmente seu couro muito resistente. Hoje, mesmo protegido por lei, ele ainda é vítima de caça ilegal e esse fator se agrava nessas épocas do ano”, comenta.
O pesquisador alerta ainda que se o peixe-boi continuar sendo caçado, ele pode deixar de existir, como ocorreu com a vaca-marinha-de-Steller, parente do peixe-boi extinto no século 18, após 27 anos de sua descoberta. “O peixe-boi é uma espécie endêmica da região. Ele tem um papel importante para o equilíbrio do ecossistema, como é um animal herbívoro, alimenta-se de plantas aquáticas, portanto, evita que as plantas se acumulem no rio, permitindo a passagem de canoas. Além disso, suas fezes servem de alimento para microorganismos, que por sua vez são comida dos peixes. Já os peixes fazem parte de nossa dieta,” ressalta.
Os números para que a população possa entrar em contato em casos semelhantes são: o Batalhão de Policiamento Ambiental 3214-8904 e 190; o do Ibama 3613-3094 e da Ampa 3236-2739. (DOL com informações do Impa)
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