Uma hora de interdição e, aproximadamente, quatro quilômetros de engarrafamento. Essa foi a maratona de quem escolheu passar o feriado nas praias do Outeiro. Os moradores do local fecharam a avenida Paulo Costa, conhecida também como estrada do Outeiro, para reivindicar melhoria na qualidade de transporte para a ilha.
Segundo o feirante Dinho Oliveira, morador do distrito, a deficiência no transporte e a reação dos motoristas de vans que trabalham com a condução alternativa motivaram a manifestação. De acordo com ele, após a concessão da Prefeitura de Belém para a empresa Transuni assumir uma linha de transporte público, os trabalhadores que atuam com transporte alternativo no bairro reagiram.
“Segunda foi a vez deles, agora é a nossa vez de reivindicar os nossos direitos”, disse o feirante, se referindo ao protesto realizado na última segunda-feira (1º) pelos trabalhadores do transporte alternativo.
Oliveira afirma que a implantação da linha garante os direitos os moradores do distrito. Atualmente, com o serviço oferecido pelas vans, nenhum benefício garantido em lei é cumprido. “Os estudantes não têm direito à meia passagem, os idosos e deficientes físicos também não têm a gratuidade”, conta.
A moradora Claudete Pimentel revela, ainda, que a tarifa é variada de acordo com a avaliação do motorista. “O preço depende da vontade deles. Se for para deixar até certo ponto, eles cobram um valor, mas se for mais distante fica mais caro”. A falta de profissionais habilitados para exercer a função é outra reclamação feita pela moradora. Segundo ela, alguns motoristas não possuem idade para conduzir o veículo.
Enquanto a polícia tentava negociar a desobstrução da via, algumas pessoas que se deslocavam para a praia ou para Belém desistiram da espera e seguiram andando. “Eu estava indo para Belém passear, mas fiquei presa aqui quase 20 minutos, então decidi descer do ônibus e andar um pouco para ver se consigo pegar outro transporte”, disse a autônoma Ângela Carmem. O aposentado Max Barros ficou preso com a família no engarrafamento, mas não desistiu do passeio. “Eu vou ficar aqui esperando, porque como os bombeiros já chegaram, a via deve ser liberada daqui a pouco”.
Um trabalhador do transporte alternativo, que não quis se identificar, negou as acusações feitas pelos moradores, afirmando desconhecer a deficiência no serviço. “Eles estão fazendo isso para prejudicar o nosso serviço. Nós deveríamos ser legalizados e não ser implantada uma nova linha de ônibus, porque o transporte já existe”, afirmou. (Diário do Pará)
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