“Atualmente, exerço atividades no DIÁRIO DO PARÁ, sob a superintendência do jornalista combativo na hora precisa; lidera uma administração compatível com as transformações pelas quais passa o jornal que fundou, numa época em que se lutava pela redemocratização do País. Quero mencionar o fraterno amigo Laércio Barbalho, a quem expresso, de público, a minha gratidão”.
Este é um fragmento do discurso da cerimônia de posse da Cadeira 36 da Academia Paraense de Jornalismo feito pelo jornalista, advogado e gestor público Benedicto Celso de Pádua Costa, que morreu ontem, aos 84 anos, de falência múltipla dos órgãos provocada por uma infecção urinária, deixando o jornalismo paraense de luto.
O trecho retirado do blog mantido por ele simboliza a importância de Pádua para o DIÁRIO, desde sua fundação e o trabalho ao lado de Laércio Barbalho, fundador do jornal.
Pádua nasceu em 28 de julho de 1926. Formou-se advogado e assumiu o escritório de advocacia de Aurélio do Carmo no final da década de 1950. Quando Aurélio elegeu-se governador, tornou-se seu chefe de gabinete e, três meses depois, secretário estadual de Educação e Cultura.
Em 1964, durante o regime militar, passou a se dedicar ao jornalismo. Destacou-se como um jornalista de texto apurado e foi convidado por Laércio Barbalho para fazer parte da equipe do DIÁRIO em 1982. Ali, criou muitos amigos, graças à simpatia e à destacada inteligência.
Um deles é o deputado federal Jader Barbalho. “Conheci Pádua Costa quando ainda estava fazendo política estudantil e ele exercia o cargo de secretário de Educação”, relembra Jader. “Sem dúvida alguma, foi um secretário diligente e que deu contribuição significativa ao Estado. Foi uma figura respeitada à época como titular da antiga Seduc”.
A convivência se estendeu depois para o jornalismo. “Ele escreveu em vários jornais. E graças à confiança do meu pai, foi um dos fundadores do DIÁRIO”, reitera. Jader é só elogios a ele. “Quem conviveu com Pádua Costa teve o privilégio de conhecer uma pessoa culta e elegante”.
O jornalista Walter Guimarães também guarda com carinho os momentos ao lado de Costa. “Ele escrevia muito bem, tinha um português corretíssimo. Era grande jornalista, pai exemplar, marido devotado. Escrevia artigos excelentes”, completa.
O enterro acontece hoje, no cemitério Recanto da Saudade, na BR-316, às 9h. (Diário do Pará)
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