No Brasil, a luta política pelos direitos das mulheres e pela igualdade nas relações de gênero impulsionou a adoção de políticas públicas e leis em campos como saúde sexual e reprodutiva, trabalho, direitos políticos, civis e violência de gênero. Porém, às vésperas da primeira mulher presidente do Brasil assumir o poder, os sinais da emancipação feminina vão muito além das leis ou situações de crise. E completamente independentes, seja financeiramente ou socialmente, elas deixam cada vez mais para trás a imagem de que o sexo feminino necessita de uma presença máscula ao lado para definir-se, expressar-se, ou simplesmente divertir-se.
A prova disso é que atualmente muitas agem com naturalidade o fato de serem chefes de família, de saírem sozinhas para uma festa ou de terem invadido espaços antes exclusivamente masculinos, seja no Planalto Central, no mercado de trabalho ou até mesmo à frente de pickups, comandando festas como DJs.
Para a coordenadora do Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense, Domingas Martins, a luta ainda não acabou. “Hoje ainda não é o que se quer, mas devagar estamos avançando enquanto mulheres. Até mesmo no jornalismo a presença da mulher era pequena. Muitas faziam serviço secundário”, lembra Domingas, citando que os últimos dados mostram que hoje aproximadamente 49% das mulheres são chefes de família no Estado do Pará. Logicamente, se elas são chefes de família, também possuem vidas próprias marcadas pela independência. “Se antes a mulher não tinha o direito de viver a sua própria vida, era uma verdadeira subordinada do marido e da sociedade, hoje é diferente, e a tendência é melhorar ainda mais”.
PIONEIRAS
Vida própria que significa autenticidade. Foi assim que a famosa DJ Ágatha se tornou a primeira mulher DJ de aparelhagem do Pará. Ela, que começou tocando psy em raves e depois passou para o tecnobrega e colheu o sucesso na noite de Belém. Mas queria muito mais. Virou evangélica e inovou novamente. Hoje, se apresenta dentro da igreja. “Toco ritmos de aparelhagem, mas todos com letra evangélica. Hoje em dia o objetivo não é só animar. O foco é o louvor e a adoração a Deus”, justifica.
O caminho não foi simples. “Como fui a primeira DJ mulher de aparelhagem, no início muitas pessoas duvidaram da minha capacidade. Depois o público me recebeu muito bem. Virou um diferencial, porque se levou o charme da mulher para animar as festas”.
Já a DJ Sumaya, a segunda do Pará, coleciona funções: já foi dançarina e ainda é pedagoga e administradora. Seguindo os passos de Ágatha, atualmente também toca na Igreja Quadrangular. “Eu era dançarina de uma banda de forró e o meu namorado era dono de aparelhagem. Acabei aprendendo a tocar. A gente toca todos os tipos de música, só que com canções evangélicas”.
Alanna Maia Rodrigues era apenas uma garota de 17 anos quando decidiu virar DJ. Além de ser mulher, ainda muito nova, o que causava estranheza principalmente aos donos das casas de show. “Estamos conseguindo atingir todos os públicos e até roubando o público dos homens. Hoje me sustento com a minha música. É dia e noite tocando. No começo muita gente falava: ‘Mas é ela que é a DJ?’. No meio da festa já se desculpavam”, conta.
Outra mulher que conquistou espaço foi a DJ Aline Moraes, que toca há quatro anos. O diferencial dela é tocar em casas noturnas. “Já tinham vindo algumas mulheres DJs na minha frente. Só que eu sou mais casa noturna do que aparelhagem, e com isso consegui ganhar muito espaço neste segmento, por ser uma atração nova”. Hoje, Aline Moraes está em diversas casas de shows. “É bonito porque a mulher está ganhando o seu espaço, as pessoas respeitam, têm carinho, até mais do que o homem”, comemora.
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