Cuidar de crianças e adolescentes que tiveram a infância interrompida, vítimas de violência, abusos e negligência, é o que move a organização não governamental CVC - Centro de Valori zação da Criança. A ONG, fundada em 1989 em Belém, atende meninas em situação de vulnerabilidade social no abrigo da instituição, Raio de Luz, localizado na periferia da capital.
O trabalho, realizado basicamente por voluntários, já ajudou um grande número de crianças e adolescentes de Belém e de municípios do interior do Estado, promovendo reintegração social e familiar. Elas chegam ao abrigo encaminhadas pelos Conselhos Tutelares ou pelo Juizado da Infância e da Juventude. A maioria é vítima de violência sexual, muitas vezes praticada dentro de casa pelos próprios familiares, motivo pelo qual recebem, antes, atendimento psicológico e clínico no Pro-Paz, serviço de atenção a crianças e deficientes nesta situação.
O abrigo não apenas fornece um lugar onde dormir e se alimentar, mas também viabiliza educação, lazer, assistência social e outros serviços às crianças. Tanto elas quanto as famílias são acompanhadas pelo CVC, que verifica a possibilidade de a vítima retornar para a família, reestruturada, sob certas condições. "Primeiro trabalhamos a rede familiar. Se for possível, ela vai para a mãe, para a avó, para um irmão ou um tio, alguém que possa cuidar dela. Não havendo essa possibilidade, ela é encaminhada para a adoção", explica a assistente social da ONG, Silvia Soares da Costa.
Trabalhando no local há três anos, Silvia conta que é difícil separar o lado profissional do pessoal. "Tem casos em que a família abandonou por completo. É um trabalho que desperta nossa solidariedade". Ela afirma que um dos casos mais recentes é o de um grupo de nove irmãos, atualmente divididos em três abrigos de Belém. Quatro deles serão adotados por duas famílias italianas e os outros cinco aguardam uma nova oportunidade.
Silvia Soares destaca que as condições de trabalho no CVC apresentaram evidente melhora nos últimos meses devido ao aumento da presença policial na área, considerada de risco, o que facilitou a rotina dos profissionais e voluntários envolvidos. Na última semana, o diretor da instituição, Chagas Prado, esteve com a governadora do Estado, Ana Júlia Carepa, e agradeceu pelos avanços na área da segurança pública.
A assistente social conta que, além da segurança, os policiais militares tornaram-se parceiros do abrigo, promovendo palestras e levando suas respectivas famílias para conhecer as crianças. "Enquanto cidadã, a gente tem uma visão contraditória dos policiais, mas começamos a conhecê-los como seres humanos e vimos que eles são pessoas que buscam a paz, a tranquilidade e que estão ajudando a comunidade".
>> SERVIÇO
O CVC atualmente atende mais de 20 crianças e adolescentes e está sempre buscando e precisando de novos voluntários para colaborar com a instituição. Qualquer pessoa pode contribuir doando alimentos, roupas, brinquedos, móveis, entre outros, ou oferecendo serviços, como oficinas, palestras e outros. O telefone da instituição é (91) 3258 2320.(Secom)
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