Um caso inusitado retrata as péssimas condições de algumas penitenciárias do interior do Estado do Pará. Tânia Mendes Feitosa, 23 anos, ficou cinco dias algemada a um banco no corredor da Delegacia de Polícia Civil do município de Novo Progresso, localizado a 2 mil quilômetros de Belém, na divisa com o Mato Grosso, até ser transferida para a penitenciária de Itaituba, no dia 20 de setembro.
Conforme a ocorrência, ela foi apanhada no dia 15 de setembro último portando 14,55 kg de pasta base de cocaína, cinco papelotes da droga, R$45,00 em dinheiro, quatro aparelhos celulares e o documento de um carro. Ela permaneceu presa e recolhida à delegacia sem nenhuma estrutura para esse tipo de recluso.
Até o momento, não há informes sobre o acompanhamento do caso de Tânia, que é de responsabilidade da Defensoria Pública, uma vez que ela não é uma presa condenada.
A reportagem fez contato com um advogado legado à Defensoria e ele informou que já está estudando a situação, para que sejam tomadas providências.
Cadeia pública foi interditada
A prisão de Tânia Mendes e as condições a que ela foi exposta contaram para a decisão judicial tomada dias depois do episódio. No dia 20 de outubro, a cadeia pública de Novo Progresso foi interditada pelo juiz José Admilson e os presos transferidos para Itaituba e Santarém.
De acordo com informações publicadas no site www.diadiaprogresso.com, a cadeia não oferecia qualquer segurança para manter presos: as paredes tinham infiltrações, faltavam agentes penitenciários e celas femininas. Já teria sido solicitada uma reforma geral no prédio.
Em nota, o Ministério Público esclareceu ao Diário que o órgão tem conhecimento das péssimas condições da delegacia, "e deve inclusive ingressar com Ação Civil Pública contra o Estado, para que a mesma seja reformada".
(DOL, com informações do Diário do Pará)
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