Na mesma semana em que o presidente Lula e a presidente eleita Dilma Rousseff vieram ao Pará inaugurar as eclusas de Tucuruí, pesquisadores, acadêmicos e integrantes de movimentos sociais discutiram na Universidade Federal do Pará as questões sociais que envolvem a construção de barragens em hidrelétricas, durante o III Encontro Latino Americano Ciências Sociais e Barragens. Por trás dos debates a constatação de que o planejamento de novos empreendimentos hidrelétricos como esses não têm tido discussões satisfatórias a respeito dos impactos socioambientais, limitando-se apenas aos aspectos econômicos.
“A forma predatória e destruidora desses projetos é igual em toda parte. Não se respeitam a cultura e nem as leis do País”, diz a ativista ambiental Antonia Melo, uma das coordenadoras do Movimento Xingu Vivo, que se opõe à construção da hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira.
Antonia Melo participou da mesa redonda sobre as barragens de Belo Monte, junto ao procurador Felício Pontes Jr, do Ministério Público Federal, Sônia Magalhães, da UFPA e Marijane Lisboa, da Plataforma DHESCA.
Uma das coisas que os pesquisadores chamam a atenção é de que, apesar de ser vendida a ideia de que as hidrelétricas são investimentos privados, a participação do dinheiro público é sempre significativa. “No fundo, apesar do discurso privado, é o estado quem está por trás”, diz a pesquisadora Chélen Fischer de Lemos, de Brasília.
Fischer participou de um debate junto ao jornalista Lúcio Flávio Pinto, o economista Carlos Brandão, da Unicamp e Luis-Ciro Marcano, da Universidade Central da Venezuela, que apresentou a situação dos projetos hidrelétricos no país. Segundo ela, a tecnologia de produção das hidrelétricas é a mesma da década de 30 do século passado, ou seja, não há nada de novo quando se fala em novos modelos de hidrelétricas.
“O sistema tem fome de grandes blocos de energia. A Amazônia é olhada dessa forma. Acaba sendo um processo de garimpagem que segue um modelo de apropriação na Amazônia que centraliza tudo em benefício do centro-sul”, diz Fischer. (Diário do Pará)
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