Uma moradora de Santo Antônio do Tauá procurou a reportagem do Diário Online para denunciar um caso de negligência no hospital do município, que resultou na morte de um bebê durante o parto. Maria de Jesus Amaral Sena, 31 anos, estava grávida de nove meses, à espera de sua primeira filha. Na segunda-feira (29), começou a sentir as dores do parto e foi, juntamente com a irmã e o marido, para o Hospital Maternidade Santo Antônio do Tauá, que fica a uma hora de carro da Vila de São José, lugar onde residem.
No hospital, Maria esperou quase de 24h para que o médico de plantão resolvesse fazer seu parto. Mas já era tarde demais: a criança morreu entalada no corpo da mãe, que já estava sem forças, e teve que ser retirada por corte cesariano. “A bebê nasceu com 4,2 kg. Uma criança desse tamanho não é para nascer de parto normal. Ele demorou muito para decidir fazer a cirurgia”, afirma a tia da criança, Adelci Amaral Sena, indignada com a falta de responsabilidade do médico que as atendeu, Francenildo Sena.
A família chegou ao Hospital por volta das 17h de segunda-feira, mas apenas às 16h de terça-feira (30), o médico resolveu fazer a operação para retirar o bebê. “Fomos atendidos por enfermeiras, que disseram para esperar o médico. Maria sentia muitas dores desde 15h”, contou a tia. Adelci conta ainda que o médico as atendeu apenas às 19h, fez o toque e disse que ainda estava com 4 cm de dilatação, sendo necessário aguardar.
Segundo Adelci, por volta de 3h da madrugada a dor da irmã estava insuportável, aumentando cada vez mais. Ao chamar a enfermeira, elas fizeram o toque e informaram que já estava com 8 cm de dilatação, faltando apenas dois para os 10 cm necessários para o parto. Às 5h da manhã de terça-feira, Aldeci chamou novamente as enfermeiras. "Elas disseram que era para aguardar o médico acordar, às 7h, para ele poder atender a paciente”, disse Aldeci.
“Ele atendeu todas as pessoas que estavam no hospital e disse com ignorância que era para a gente esperar. Depois ele fez o toque e disse que estava com 7 cm e mandou esperar mais. O pai da criança achou estranho e pediu a transferência dela, mas o médico disse que não havia necessidade e não deixou”, explica Aldeci. Por volta de 15h, ela começou a sentir mais dores, deram remédios e fizeram o toque novamente. “O médico e o filho dele, que trabalham juntos, fizeram o toque e informaram que a cabeça da criança já estava aparecendo e mandaram as enferfeiras a levarem para a sala de parto”, conta.
Maria de Jesus foi levada para sala de parto, onde as próprias enfermeiras tentaram fazer o parto. “Ela já estava muito fraca, fez o máximo que pode, mas a criança ficou entalada. Foi quando elas chamaram o médico, que estava ao lado, fazendo a cirurgia em outra paciente. Ele disse: “Não vou operar, ela tem que fazer força”, teria dito o médico, segundo Adelci. Ela lembra que a irmã sentiu quando a criança morreu dentro dela e que o médico teve que fazer um corte na barriga da mãe para puxar o bebê de volta e então retirá-lo da barriga da mãe. “Ela ficou com a cabecinha achatada”.
O marido e a irmã da mãe do bebê foram ao Instituto Médico Legal (IML) e depois foram registrar boletim de ocorrência na Polícia. O médico não queria deixar que o corpo do bebê fosse levado. Segundo Aldeci, o médico Francenildo Sena toma remédios depois que sofreu um acidente. Segundo Adelci, logo após ver a criança morta, ele disse: “Não sei o que está acontecendo, esta é a quarta criança que morre nas minhas mãos”.
A reportagem do DOL tenta contato com a Prefeitura de Santo Antônio do Tauá, responsável pelo hospital.
(Thaís Rezende/DOL)
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