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Entrevista com Luiz Carlos, PHD em Economia

OPhD em economia Luiz Carlos Mendonça de Barros esteve em passagem rápida por Belém essa semana para uma palestra na Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). Os ouvintes: empresários, investidores e a imprensa especializada. Na pauta, um pa

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OPhD em economia Luiz Carlos Mendonça de Barros esteve em passagem rápida por Belém essa semana para uma palestra na Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). Os ouvintes: empresários, investidores e a imprensa especializada. Na pauta, um panorama da economia brasileira nos próximos quatro anos e outros temas, como os anos de governo FHC e Lula, a crise global de 2008, o crescimento do crédito doméstico no País e a prospecção da economia paraense frente aos investimentos atuais na mineração, às eclusas de Tucuruí e outros.

Luiz Carlos tem extenso currículo na área econômica e de estratégia na política nacional. É ex-ministro das Telecomunicações, ex-presidente do BNDES e ex-diretor do Banco Central do Brasil, além de ter sido sócio de dois bancos. Atualmente atua como estrategista e CEO da Quest Investimentos, além de escrever artigos para jornais e revistas. Um pouco antes da palestra, o economista conversou com os repórteres Frank Siqueira e Luiz Flávio:

P: O senhor declarou recentemente que o Brasil trabalha no seu limite na área energética e que dentro de mais ou menos três anos essa capacidade pode se exaurir e o país pode enfrentar problemas...

R: A energia elétrica é uma das questões mais delicadas quando analisamos o arcabouço econômico do país, já que é um insumo fundamental e as decisões de oferta de energia elétrica são de muito longo prazo. Uma hidrelétrica, entre a decisão de construí-la e ligar a primeira turbina, são cinco, seis anos. E isso fica mais difícil com a questão ambiental, que pode gerar atrasos incontroláveis. Quando olhamos o Brasil nos próximos cinco anos, sendo modesto sem termos de crescimento, diremos que pode crescer 4 a 4,5% e a demanda de energia elétrica crescerá de 7% a 8% e não teremos aumento de oferta de energia a não ser no segmento de energia térmica, que é no mínimo 30%, 40% mais cara que a energia hidrelétrica. Esse é um problema sério que teremos.

P: Qual a sua expectativa em relação ao governo Dilma Rousseff?

R: Não é fácil substituir... No fundo ela está substituindo não apenas o presidente Lula mas também o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que são duas personalidades de muita força. A presidente eleita tem ainda uma história muito recente, politicamente falando, e tem uma curva de aprendizado que será longa e, o que é pior, com os olhos da sociedade que estará sempre comparando ela ou com Lula ou com Fernando Henrique. Daí a minha avaliação de que ela terá dificuldades em se impor como presidente. Em relação a montagem de seu ministério, percebemos que a presidente eleita adota uma postura cautelosa, trazendo uma equipe que já atuava com o presidente Lula. Isso prá mim é uma mostra de sabedoria. Talvez daqui a dois anos, se realmente crescer como líder político poderá colocar tons mais particulares da sua personalidade.

P: Quais as diferenças e similaridades entre os governos dos presidentes Lula e FHC?

R: Vejo que os dois governos são complementares. O presidente FHC fez coisas importantes que Lula nunca faria e vice-versa, por diferenças de personalidade e de visão do mundo. Quando você põe os dois governos, um na sequência do outro, temos a melhor combinação do que poderia ter acontecido no Brasil, e não é por outra razão que nesses últimos anos que o Brasil passou a ser considerado uma das economias mais importantes do mundo e ter assumido uma liderança importante junto ao grupo novo de nações emergentes. (Leia mais no Diário do Pará)

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