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Incêndios se espalham por Belém

Ligações clandestinas de energia estão entre as principais causas dos incêndios ocorridos ao longo deste ano em Belém. E os números são alarmantes: de janeiro até o dia 3 de dezembro, foram registradas 676 chamadas de incêndios apenas na Região Metr

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Ligações clandestinas de energia estão entre as principais causas dos incêndios ocorridos ao longo deste ano em Belém. E os números são alarmantes: de janeiro até o dia 3 de dezembro, foram registradas 676 chamadas de incêndios apenas na Região Metropolitana de Belém. Em todo o Estado, foram 1.394 chamadas.
Os dados do Corpo de Bombeiros envolvem incêndios de pequenas a grandes proporções. Das 676 chamadas, 137 foram por conta de incêndios em postes ou transformadores elétricos. O tenente Luiz Alfredo Galiza, oficial de estatística do Corpo de Bombeiros, explica que esses incêndios foram causados por sobrecarga de energia ou ligações elétricas clandestinas.

“Grande parte dos incêndios está associada a essas ligações (clandestinas) e a precariedade de algumas habitações contribui para aumentar o risco de grandes incêndios”, afirma Luiz Fernando Arruda, superintendente corporativo de proteção da receita das Centrais Elétricas do Pará (Celpa). A estimativa da empresa é que existam cerca de 100 mil ligações elétricas clandestinas somente em Belém.
Segundo o superintendente, os famosos “gatos” são registrados em quase toda a cidade, mas são mais comuns em comunidades de baixa renda. “Os casos são mais intensos em bairros onde a população é menos favorecida, como Terra Firme e Jurunas”, diz. Os riscos podem trazer consequências fatais. “Na maioria das vezes, os cabos utilizados são de baixa qualidade, o material não é próprio para ficar exposto. Após algum tempo, fica sem isolamento e causa o curto-circuito”, explica.

A maioria das ocorrências de incêndio é registrada em casas de alvenaria, mas são as casas de madeira as mais atingidas pelos incêndios de grandes proporções. “Os incêndios em casas de madeira representam 1/3 do total de casos, porém é mais fácil a propagação do fogo e geralmente envolve mais de uma casa”, conta o tenente Luiz Alfredo.

O bairro do Jurunas está no topo dos que mais registraram incêndios em 2010: 43 ocorrências. Em seguida vem o bairro do Guamá, com 34 casos. No bairro da Pedreira, foram 33 ocorrências e, em Icoaraci, 28. Apesar da grande incidência de incêndios, os números deste ano revelam uma diminuição de casos em relação ao ano passado. Em 2009, o Pará registrou 2.213 ocorrências. Só em Belém, foram 1.109 casos de incêndios.

NA ROTA DO FOGO

JURUNAS
- Em setembro, 15 casas da rua São Miguel foram atingidas por um incêndio.
- Do total, nove tiveram perda total e seis foram atingidas parcialmente. Não houve vítimas fatais.
GUAMÁ
- Também em setembro, um incêndio atingiu mais de 20 casas, na passagem Alves Guimarães, no bairro do Guamá.
- Na ocasião, mais de 100 pessoas ficaram desabrigadas por conta do ocorrido..

Para ajudar

CONTATOS
- Quem quiser ajudar as vítimas do incêndio ocorrido no bairro da Pedreira pode se dirigir à sede da Defesa Civil, localizada na travessa Campos Sales, 33, entre as avenidas Boulevard Castilhos França e 15 de novembro, no bairro do Comércio.
Os telefones para contatos são: 3242-5332 e 3283-4100.

O QUE DOAR
O que as vítimas mais precisam:
- Alimentos não perecíveis
- Louças de cozinha (garfo, faca, colher, copo).

Muito trabalho para começar de novo

Após a tragédia, os próximos passos são uma tentativa de retomar a vida. “Passei anos e anos para construir minha casa e perdi tudo. É muito triste”, diz a professora Cleonice Moares, que teve sua casa atingida por um incêndio há cerca de três meses, no bairro do Jurunas.
Agora, ela e mais 14 famílias começam a reconstruir suas casas. “A gente trabalha e recomeça. Graças a Deus, não perdemos a vida, que é só o que não tem volta”.
O aposentado José Pantoja também perdeu parte de sua casa no incêndio e, aos poucos, tenta reconstruí-la. “Ainda bem que não atingiu a casa toda, muita gente ficou sem ter onde morar. Estou aos poucos retomando a vida”.
De acordo com a professora, o laudo apontou uma ligação clandestina como a causa do incêndio. “A gente sabe que tem aqui (“gatos”). Às vezes, a gente paga pelo erro dos outros”, lamenta. Agora que as casas estão sendo refeitas, a moradora teme que novos incêndios ocorram. “Tenho medo que façam de novo e aconteça outro acidente”.
Na semana que passou, a região metropolitana registrou outros dois incêndios de grande proporção. Na madrugada do último domingo, o fogo atingiu 18 casas no bairro da Pedreira e matou seis pessoas da mesma família. Na quarta-feira, outro incêndio destruiu totalmente uma fábrica de velas em Ananindeua. Só em equipamentos, a perda foi de quase R$ 700 mil, segundo avaliação dos proprietários. Ninguém ficou ferido. (Diário do Pará)

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