Ela foi salva pela rainha das águas e por isso será eternamente grata. Para ela, Iemanjá é muito mais do que uma entidade. “Ela é a minha mãe, minha salvadora. Devo minha vida a Iemanjá”, diz a mãe-de-santo Nangetu.
A relação da mãe Nangetu com Iemanjá se fortaleceu em 1970, quando Nangetu quase morre afogada em uma praia. “Sempre acreditei e adorei Iemanjá. Mas, depois que ela me salvou desse afogamento, meu amor por ela ficou ainda maior”, conta.
Assim como Nangetu, milhares de pessoas veneram este Orixá. Iemanjá é homenageada em datas diferentes pelos umbandistas e simpatizantes das religiões afro-brasileiras em todo o país. No Pará, a comemoração da data será na madrugada do dia 7 para o dia 8 de dezembro.
Flores, perfumes, tecidos, rendas, fitas, dinheiro, espelhos, pentes, sabonetes, vinhos, champanhes e até animais vivos são alguns dos presentes que a divindade irá receber em alto mar. “Oferecemos tudo de melhor que temos. Ela só merece coisas boas”, explica Nangetu. Ela diz que, por ser mulher e muito vaidosa, Iemanjá gosta de receber coisas femininas como batons, joias e bons perfumes. “Quando a festa se aproxima, nós começamos a recolher as oferendas. Esperamos o ano inteiro por esse momento”, conta.
O capitão Itacy Domingues, presidente da Associação Amigos de Iemanjá, explica que tudo começou há anos, quando pais e mães-de-santo tiveram a ideia de cumprir com suas obrigações de agradecimento religioso anual na praia do Cruzeiro, em Icoaraci. ‘’A partir de então, passamos a agradecer por tudo o que foi alcançado durante o ano inteiro”. Ele conta que o 1º Festival de Iemanjá foi realizado no dia 7 de dezembro de 1971. “Os lideres dos terreiros se uniram e tiveram a ideia de construir um único festival”.
No ano seguinte, em 1972, mesmo com dificuldades e sem grandes estruturas, aconteceu o 2º festival. Hoje, depois de muitos desafios vencidos, a festa continua acontecendo e é uma das maiores do Brasil. Este ano, o festival completa 39 anos de existência e já é considerada a maior festa Umbandista das regiões Norte e Nordeste, onde se concentram 70 mil pessoas.
O curioso é que Iemanjá não atrai apenas devotos de religiões afro-brasileiras, mas também católicos e pessoas de outras religiões. “Minha avó era devota de Iemanjá, acreditava no poder que ela tem e dizia que sempre recebia graças. Passei a acreditar e hoje recomendo. Se você faz os pedidos com uma boa intenção, com certeza, aquilo que você deseja, se você pedir com fé,ela ajudará, você terá êxito”, diz a professora Maria Rita, que é católica.
Mães das águas unidas pelo sincretismo
No mesmo dia em que Iemanjá é homenageada, é comemorado o Dia de Nossa Senhora da Conceição. Hoje, as homenagens para Nossa Senhora de Conceição acontecem durante o Círio de Outeiro. Na madrugada de terça para quarta-feira, será a vez de Iemanjá receber as homenagens na Praia Grande, também em Outeiro.
A antropóloga Anaíza Vergulino explica que, no sincretismo religioso, Iemanjá tem identidade correspondente a outros santos. Ela explica que o significado das duas imagens têm muita coisa em comum. “As duas regem a maternidade e representam a fé Mariana”.
A diferença está na história e nas imagens. Uma aparece como sereia ou sob as ondas. Outra surge em terra. As duas têm azul e branco em suas imagens. “Seja lá que forma tem, o ser humano sempre foi protegido pela Grande Mãe, que certamente se serviu de quem estava mais próximo para ajudar”, diz a antropóloga.
PROGRAMAÇÃO
- A festa para homenagear a Rainha do Mar acontece no dia 07 de dezembro, na Ilha do outeiro, a partir das 21h.
- Concentração: avenida Pedro Miranda com travessa Lomas Valentinas (Aldeia Amazônica), a partir das 17h.
- Às 19h – Missa campal na Aldeia Amazônica
- Às 20h – Realização de Minirritual da Religião Umbandista na Aldeia Amazônica.
- Às 21h – Deslocamento da Rodorromaria com destino à Praia Grande (Outeiro).
- Estimativa: 500 veículos e 70 mil pessoas.
(Diário do Pará)
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