O olho nublado pela catarata de Rubilar Ferreira das Chagas, 78 anos, já perdeu as contas de quantas procissões acompanhou. Os olhos verdes da menina Marília, de nove anos, viam tudo pela primeira vez. Entre o olhar de um homem que desde os 14 anos faz parte da procissão e o da criança que debutava como anjinho, faz-se a tradição de 105 anos do Círio de Nossa Senhora da Conceição na localidade de Caraparu, no município de Santa Izabel. Ontem (8), essa tradição se renovou.
É uma procissão cujo encanto maior é o traslado da imagem da santa, levada e seguida por barcos a remo pelo rio Caraparu. Ao longo do trajeto há murmúrios de orações e também o silêncio que, aqui e ali, era quebrado pelo estrondo dos fogos de artifício.
A movimentação começa aos poucos em Caraparu. Antes das 5h, rapazes vestidos de marinheiros começam a circular pelas ruas próximas ao conhecido balneário. São eles que irão amarrar o próprio barco ao que conduz a imagem de Nossa Senhora e remar pelo rio de águas escuras, rebocando a embarcação principal.
No barco que conduz a imagem, o controle é feito por Domiciano dos Santos, 61 anos, veterano da procissão. “Tem mais de 40 anos que sigo a procissão”, diz o pescador. Roberto da Silva, 47 anos, também segue o cortejo há mais de 15 anos. “É uma promessa minha. Enquanto eu estiver vivo, acompanharei a procissão”, diz ele. Leia mais no Diário do Pará
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