A capacidade ociosa da unidade da cervejaria Cerpa será usada pelo prazo de um ano pela AmBev para a industrialização de seus produtos, segundo decisão tomada na última quarta-feira (8) por unanimidade pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O parecer favorável para a realização do negócio, que não envolve a compra de ativos ou marcas, já havia sido emitido pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e pela Procuradoria do Cade.
De acordo com o conselheiro Carlos Ragazzo, relator do processo, o acordo envolve apenas uma parcela específica da produção, que se aproxima de metade do potencial total da atividade da companhia. Ele disse que antes de emitir o parecer favorável à operação identificou que as concorrentes Schincariol, Kaiser e Petrópolis não possuem fábricas na região, embora a Schincariol tenha planos de investir no Pará.
Ragazzo disse que apesar dessas informações, a Schincariol pediu impugnação do ato que permitirá à Ambev industrializar seus produtos na fábrica da Cerpa, acusando a Ambev de impedir a entrada de concorrentes. Outra que questionou “impedimentos competitivos” foi a Kaiser. Para o conselheiro do Cade não se pode falar em prejuízo à concorrência, pois, assim como já haviam salientado as secretarias previamente, a operação envolve apenas capacidade ociosa e não trata de transferência de ativos e, além disso, a vigência do contrato é muito curta.
AVAL
O acordo entre a Ambev e a Cerpa foi fechado em abril deste ano, mas faltava o aval do Cade. A AmBev vai fornecer as matérias-primas e embalagens necessárias para a fabricação de suas cervejas na Cerpa, com a finalidade de cumprir os seus padrões de produção também na fábrica paraense, segundo informa a assessoria da empresa.
Levantamento consultoria LCA, citado pela AmBev, revela que o setor de bebidas cresceu 12,4% na região Norte do País no ano passado, impulsionado por fatores como aumento na renda disponível, temperatura média mais elevada e lançamento de novas embalagens. Em todo o Brasil, o avanço do setor foi de 7,8%. (Diário do Pará)
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