A força deu lugar ao desespero. “Sempre fui adepto à teoria de que homem não chora, nem por dor, nem por amor, mas me enganei. Nunca imaginei que eu, com esse tamanho e com essa idade, fosse um dia chorar na porta de uma Unidade de Saúde”, disse o pescador José Carlos Silva, 48 anos.
A reportagem encontrou o homem, no início da manhã de ontem (9), chorando em frente à Unidade de Referência Especializada do Reduto, após não ter conseguido atendimento. José estava de muletas, devido um acidente de trabalho e estava com consulta marcada para ontem na URE. Com muitas dores nas costas e sem conseguir andar direito, ele contou que saiu de Icoaraci, onde mora, às 5h da manhã para ir se consultar. Quando chegou se deparou com um cartaz que dizia. “Estamos paralisados. O atendimento na Unidade está suspenso”.
Assim como José, centenas de pessoas tiveram que voltar para casa na manhã de ontem devido à paralisação dos servidores das Ures de Belém. Na URE-Presidente Vargas, muita gente foi pega de surpresa. “Está em greve? O que vou fazer agora? Como vou voltar para casa”, questionou a aposentada de 71 anos, Odila Cruz. Ela contou que veio do município de Tomé-Açu, para fazer um exame cardiológico. “Saí de casa às 2 horas da manhã, foram quase 6 horas de viagem. Essa consulta já estava marcada há 3 meses. Não sei o que fazer”, disse a senhora.
Situação pior foi a do agricultor Raimundo Soares, ele veio do município de Breves para fazer um Raio X que já estava marcado há 2 meses. “Vim com o dinheiro certo para ir e voltar no mesmo dia. Mas, vou ter que dar um jeito de ficar. Já pensou se eu volto e eles acabam a greve?. Agora a gente está dependendo da boa vontade deles”, ressaltou. Leia mais no Diário do Pará
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