Como se não bastassem os problemas com o abastecimento regular de água, os moradores do conjunto Cidade Nova 4, em Ananindeua, também precisam conviver com a péssima qualidade do produto oferecido.
Valdir Cícero, funcionário público, tem um filho de apenas 6 meses de idade e, preocupado com a água barrenta que sai das torneiras, compra água mineral para dar banho na criança. “Essa água não serve para nada. Tenho medo que meu filho pegue alguma micose”, afirma.
Nas bacias e baldes onde a diarista Rosângela Correa estoca água, prevenida para a falta constante, é possível ver uma tonalidade marrom. Além disso, o problema na residência tomou proporções ainda maiores. O aumento de 600% na conta dos últimos dois meses gerou revolta e indignação nos moradores. No valor de R$ 529, o débito ainda não foi pago. “Já fui três vezes reclamar na Cosanpa e nada foi resolvido”.
Segundo ela, técnicos já estiveram no local para conferir o medidor e afirmam que está tudo certo. “É impossível que estejamos consumindo tudo isso. Há poucos meses pagávamos menos de R$ 30”, reclama a diarista. Com as contas mais recentes em mãos, ela mostra o crescimento excessivo do valor cobrado. Em agosto, por exemplo, a cobrança foi de R$ 91 e em setembro, R$ 36.
Outros vizinhos também passam pela mesma situação e pretendem se mobilizar para entrar com uma representação perante o Ministério Público contra a Cosanpa. “Isso é uma falta de respeito com a população. Estão nos roubando”, reclama José Trindade. Morador há décadas do conjunto ele nunca havia recebido uma conta tão alta, que chegou a R$ 240. Outra moradora, Maria Clara Ramos, também trouxe de casa suas contas de água, afirmando que está sendo enganada. “Moro sozinha na casa, não posso ter gastado mais de R$ 150”, garante.
A reportagem tentou contato com a assessoria da Cosanpa, mas não conseguiu falar com representantes do órgão durante o final de semana. (Diário do Pará)
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