O autônomo José Maria Alcides tenta se manter forte enquanto fala do ocorrido na tarde do último domingo (12), quando sua filha, a menina Luriane de Fátima Assunção, 10 anos, foi baleada durante um assalto, no bairro do Guamá.
“Nós vínhamos de um almoço e, na nossa frente, ia andando um senhor de uns 60 anos. Uns rapazes passaram por nós e anunciaram o assalto para o senhor. O homem foi logo disparando e atingiu o senhor no rosto. Depois deu outro tiro, que era para atingir a nuca do homem, mas acabou atingindo minha filha”, relembra.
O assalto ocorreu na rua Paz e Souza, bem próximo à casa onde a criança mora com a família. O tiro a atingiu nas costas. “Pegou bem no meio da coluna dela. Nós a colocamos em um carro e levamos para o PSM do Guamá”, conta o pai. Ao chegar ao hospital, a menina foi transferida para o Pronto-Socorro Mário Pinotti, na 14 de Março.
A partir daí, o desespero da família da criança aumentou. Segundo o pai, até a manhã de ontem, Luriane estava sem receber atendimento médico. “Minha filha está no corredor do PSM em uma maca. Só dão remédio para ela aguentar a dor. Quanto mais tempo passar, pior vai ficar o estado de saúde dela”.
Segundo José, a menina tem dores, febre e vômito. Quando pensa na possibilidade da filha ter sequelas por conta do tiro, a força dá lugar à tristeza. “Ela é minha única filha. Ela não está sentindo as pernas. Quero que ela vá para outro hospital ou que ela seja atendida direito”, diz, emocionado.
TRANSFERÊNCIA
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou por nota que a menina foi avaliada por médicos da pediatria, traumatologia, cirurgia geral,neurologia, neurocirurgia e submetida a exames de tomografia e raio-x. Diz que seu quadro é estável, mas delicado, por isso foi solicitada a transferência para o Hospital Ophir Loyola, no que estaria sendo solicitada urgência. Enquanto isso, confirma que estão sendo ministrados medicamentos para “reduzir as dores e os possíveis danos ráquio-medulares” que estão sendo comprados para atender ao caso - já que não fazem parte do perfil do padrão do SUS para um PSM -, “a fim de minimizar o sofrimento e dar maior conforto à paciente”.
Ouvido novamente ontem à noite, o pai de Luriane permanecia indignado. “Quando passa o efeito do remédio, ela começa novamente a gritar com dor. Ela já não sente mais nem as perninhas”. Com medo de que a demora de uma avaliação especializada levasse à morte de Luriane, ele partiu por conta própria em busca de um leito. Durante todo o dia foi a diversos hospitais, mas todos disseram que só aceitariam após um documento oficial do PSM. José Maria reclama ainda que desconhece os resultados dos exames feitos. “Ninguém me mostrou nada e o quadro dela permanece o mesmo”. (Diário do Pará)
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