Trabalhadores do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) decidiram paralisar suas atividades a partir desta quarta-feira (15) em defesa do cumprimento imediato da Campanha Salarial e contra a precarização do hospital. Eles reclamam de problemas como desativação de leitos e equipamentos quebrados.
As críticas também surgem de quem precisa do hospital como pacientes. Há duas semanas a diarista Leonice Costa está esperando por um leito para sua filha no hospital. A jovem está com pneumonia e há dois dias recebeu a informação de que tem 99% de chances de desenvolver um quadro de tuberculose.
“Estamos esperando por um leito em um hospital de referência, que é o Barros Barreto. Enquanto isso, minha filha está em outro hospital público que não tem atendimento específico para essa doença”, diz Leonice, que afirma que a filha tem piorado a cada dia. “Ela só está no soro e tomando remédio para tosse, e a única coisa que me disseram é que temos que esperar ela ser chamada pela central de leitos”.
REDUÇÃO
O chefe do departamento de leitos do Hospital Barros Barreto, Luiz Carneiro, admite que o hospital está com dificuldades em relação ao número de leitos. Segundo ele, a quantidade de leitos na clínica pneumológica foi reduzida pela metade, por conta de obras que estão sendo realizadas no hospital. O número que antes era de cerca de 120 leitos, caiu para 60.
Além disso, o tempo de internação seria um agravante para a falta de leitos. “Quando se trata de pacientes com doenças pulmonares, o tempo de internação é muito longo, varia de 30 a 40 dias, por isso a espera acaba sendo maior”, argumenta.
Ele disse ainda que o número de leitos disponíveis para pacientes com pneumonia masculina é maior do que para pacientes do sexo feminino. “As estatísticas mostram que essa doença se desenvolve com mais frequência entre os homens, por isso temos mais leitos”.
Carneiro não soube dizer quanto tempo a menina terá que esperar para conseguir atendimento. “Só espero que o final dessa história não seja triste como muitas que acontecem aqui no Pará”, concluiu a mãe da menina. (Diário do Pará)
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