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EUA chamaram Pará de 'terra sem lei'

A Secretaria de Segurança Pública do Pará não vai se manifestar, pelo menos oficialmente, sobre a atuação da embaixada americana no Brasil na apuração do assassinato da missionária Dorothy Stang, executada a tiros no município de Anapu, em fevereiro de 20

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A Secretaria de Segurança Pública do Pará não vai se manifestar, pelo menos oficialmente, sobre a atuação da embaixada americana no Brasil na apuração do assassinato da missionária Dorothy Stang, executada a tiros no município de Anapu, em fevereiro de 2005. Muito menos sobre o papel desempenhado nas investigações pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, que teria participado inclusive da interrogação de alguns dos acusados.

O envolvimento, no caso, tanto da embaixada americana quanto do FBI foi denunciado em telegramas vazados ontem pelo site WikiLeaks. Pelo seu conteúdo, as correspondências encaminhadas na época pelas autoridades americanas chegam a ser constrangedoras para o governo do Pará e para as instituições do Brasil. Os textos falam abertamente em corrupção policial, na possível falta de interesse dos órgãos governamentais em apurar o assassinato e classificam o Pará como uma terra sem lei.

“A Secretaria de Segurança Pública não vai se manifestar. O tratamento de assuntos diplomáticos que tratam das relações entre o Brasil e outros países é da competência do Ministério das Relações Exteriores”, declarou ontem à noite um assessor da Segup.

Em tom de ressalva, o mesmo assessor acrescentou, porém, que na época do crime o atual secretário de Segurança do Pará estava fora do Brasil. Geraldo Araújo, o hoje secretário, atuava na época como adido na embaixada brasileira na Colômbia, delegado que é da Polícia Federal.

De acordo com o assessor, uma fonte qualificada da Secretaria, as suspeitas e desconfianças manifestadas pela embaixada americana, na sua quase totalidade, se revelaram improcedentes ou acabaram desqualificadas pelos fatos. “O certo é que o crime que vitimou a Irmã Dorothy foi desvendado, com a identificação e a prisão dos envolvidos, mandantes e executores, todos eles levados a julgamento”, finalizou.

WIKILEAKS

Criado pelo australiano Julian Assange, que se define como um jornalista ativista, o site WikiLeaks vem divulgando documentos confidenciais de vários países, no que chama de “vazamento por princípios”. Depende de donativos e é considerado por muitos como um ícone do jornalismo investigativo. Suscitou a fúria do governo norte-americano ao divulgar um pacote de 250 mil documentos do Departamento de Estado. (Diário do Pará)

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