Toda vez que chove a dona de casa Maria Nunes, 71 anos, entra em pânico. O motivo? A casa onde ela mora praticamente está indo para o fundo. “Quando começa a chover eu me tranco na minha casa, pego meus netos e começo a rezar para a chuva passar logo”, diz.
O bairro onde a mulher mora é até considerado uma área nobre da cidade, porém, a rua onde fica a casa dela, é uma das que mais sofre com o inverno. “Quando digo que moro entre a Pariquis e a Mundurucus, as pessoas pensam que estou bem localizada, mas elas não imaginam o sufoco que passo”.
O DIÁRIO visitou a casa de dona Maria um dia após as fortes chuvas que caíram em Belém. A rua, que fica na Passagem Euclides da Cunha, estava praticamente intrafegável, ainda estava cheia de água. Dentro da casa de dona Maria, o chão estava molhado e alguns móveis suspensos. Ela conta que a água invadiu a sala e só não entrou no quarto, porque no mês passado, ela construiu um batente, para evitar que a água invadisse. “Fiz uma espécie de barreira para impedir que a água entrasse no meu quarto. Foi a única coisa que pude fazer”.
A mulher conta que já perdeu muita coisa em decorrência das chuvas. Fogão, armários, mesas e cadeiras. Ela também, coleciona histórias curiosas para contar. “Uma vez, entrou tanta água em casa que quando eu abri o forno, caiu uma cachoeira de água de dentro dele”, lembra.
Na Vila Lusitana, também localizada na Pariquis, conhecida pelos enormes alagamentos, a situação aos poucos começa a melhorar. Moradores dizem que foi preciso a vila ficar inundada varias vezes para que a Prefeitura desse um jeito no local. Hoje, as obras de drenagem na vila já começaram. “Agora que estamos começando a ver uma melhora, mesmo assim ainda não está 100%. Queremos que isso se resolva logo porque para nós que moramos aqui as chuvas significam: medo!”, afirma a moradora Ana Lúcia Amaral.
A Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) informou que para manter a cidade limpa é de fundamental importância a colaboração dos moradores.
Segundo a Sesan, sem a parceria da população, as ações de limpeza pública da Prefeitura de Belém, não surtirão os efeitos esperados. A Operação Inverno, iniciada pela Sesan no último dia 20 de setembro já retirou 11.500 toneladas de resíduos sólidos como lama, entulhos, lixo, carcaças de geladeira, sofás, telefones públicos, aros de bicicleta, animais mortos e sucatas de carros dos canais, valas e bueiros de Belém.
Até agora, os trabalhadores da Sesan já fizeram a limpeza manual dos canais da Bernando Sayão, Caripunas 1 e 2, Três de Maio, Antônio Nunes, Caraparu, Marte, Timbiras, Ana Deusa, Quintino e Generalíssimo. Esses trabalhos também foram realizados no canal do Tucunduba. A Operação se estenderá até metade de 2011. (Diário do Pará)
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