Coordenador da transição por parte do novo governo, o economista Sérgio Leão contesta as declarações do representante da atual gestão, Edilson Rodrigues, publicadas ontem neste jornal. Rodrigues disse que a transição está em bom ritmo e que não há entrave para que a nova administração consiga informações sobre o Estado. Leão, contudo, define a transição como “vagarosa”. Nesta entrevista, ele explica as razões das críticas, fala do orçamento e da formação do novo secretariado.
P: Como o senhor definiria o ritmo da transição?
R: Lento. E é simples a conta que eu faço. Solicitamos 52 itens e esses não eram na totalidade do que a gente queria do Estado. Esses 52 itens eram informações setorizadas que a gente achava que daria para criar um cenário, e na medida em que a gente estivesse com as informações, isso poderia dar margem para que pedíssemos, por exemplo, informações sobre órgãos. A única informação que a gente pediu sobre um órgão, até agora, foi sobre o Banpará e só um item. Todas as outras informações foram gerenciais do Estado, da situação financeira fiscal. Não perguntamos como estava a Cosanpa (Companhia e Saneamento), a Cohab (Companhia de Habitação). Eu quero saber como está a dívida, como estão os empréstimos, os contratos, a folha de pessoal, a previdência, o fundo previdenciário. Não perguntei como está a Paratur, o Ophir Loyola, a Santa Casa. Isso seria até uma conseqüência, a partir da avaliação dos dados.
P: A ausência desses dados compromete o planejamento inicial do próximo governo?
R: Eu não falaria planejamento. A transição é uma ação para que você possa ter uma visão das coisas que estão acontecendo. Para a mudança não cause problemas na prestação de serviço para a sociedade. Um exemplo simples: se está faltando remédio na rede pública de Saúde e o novo governo não tiver essa posição, vai levar seis meses para botar remédio na rede pública. A transição não é para o governo que entra avaliar o que sai. Não é isso. É para garantir os serviços para a população.
P: O senhor acha que há temor em apresentar dados que sejam usados contra a atual administração, politicamente, midiaticamente?
R: Se for isso é uma bobagem. Daqui a pouco, vamos saber de tudo. Por que esconder esses dados mais duas semanas? Se fosse esse o plano - usar midiaticamente essas informações - o que muda se eu usá-las agora ou depois de 3 semanas ou daqui a um mês? Nada. O que eu acho é que a falta de transparência nas informações acaba fazendo com que isso seja usado de forma negativa porque tudo pode estar certo e eu estou pensando que está errado por não ter as informações.
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