Acusado de ser ausente da cidade e criticado pela administração, especialmente na área da saúde, o prefeito de Belém, Duciomar Costa diz estar feliz com o trabalho que tem feito. Na última quinta-feira, ele tirou o dia para conversar com jornalistas e fazer um balanço da administração. Na entrevista ao DIÁRIO, concedida à jornalista Rita Soares, Duciomar disse que Belém está passando por uma revolução na área do saneamento, culpou os governos estadual e federal pelo caos na saúde e defendeu suas frequentes e criticadas ausências da cidade.
P: Em Belém se ouve muitas críticas a sua administração. Ouve-se que o senhor é um prefeito ausente, que não faz nada. Como o senhor responde a isso?
R: Se eu não quisesse ouvir críticas, não teria me candidatado. No cargo público, é natural. Você se esforça para fazer um governo para a maioria, mas nunca consegue a unanimidade. Sabemos que sempre tem a oposição, mas eu me sinto uma pessoa muito feliz, porque ando na rua e sinto o reconhecimento das pessoas. E a maior prova disso foram as últimas eleições (de 2008). Depois de passar os piores quatro anos da minha administração, sem não ter condição sequer de receber um repasse de fora, eu venci essa batalha, e mesmo em plena crise, com todos os veículos de comunicação (contra). E também os partidos se uniram todos contra mim e saímos vitoriosos.
P: O senhor acha que está fazendo uma boa administração?
R: Eu me sinto muito feliz. Não tenho outro sentimento a não ser de agradecer a Deus e agradecer ao povo de Belém por me dar essa oportunidade de ser o gestor dessa cidade e de estar participando de um momento de transformação de uma cidade que antes estava sempre entre os piores índices nacionais. Um exemplo é a área de drenagem. Belém era sempre último lugar em termos de investimento. Nós encaramos isso, tivemos a coragem de enfrentar questões históricas. Ninguém gosta de enterrar tubo, ninguém gosta de fazer drenagem. Quando assumimos, Belém, com mais de 390 anos, tinha apenas 1.304 ruas pavimentadas e poucas delas tinham saneamento. Em quatro anos, fizemos 2 mil novas vias, com trabalho sério, com pavimentação e com drenagem. Isso, para mim, é o verdadeiro investimento em saúde, porque muda a qualidade de vida das pessoas. Isso me dá alegria, me conforta. Acho que esse é o papel do político.
P:A gente tem a impressão de que nada está sendo feito. O trânsito é ruim, a cidade está suja...
R: Todos temos problemas. A gente mora em uma casa por 40, 50 anos e todo dia, tem que ajeitar, limpar. Veja o exemplo da saúde. O Brasil todo enfrenta problemas e eu vi uma reportagem na TV mostrando que Belém, de todas as cidades do Norte, tem a pior estrutura de saúde. E eu fico imaginando como não será a pior. Nós avançamos muito e isso nos dá alegria, sim, porque a situação era tão crítica e tão caótica que as conquistas que estamos tendo nos deixam realmente eufóricos em relação aos resultados. Principalmente quando se sente essa transformação. São mais de dez bairros que estão recebendo investimentos históricos que antes não tinha nem a possibilidade de se imaginar. Já tinham perdido até o sonho de um dia acontecer isso, de você fazer a macrodrenagem de todas essas áreas. Estamos levando dignidade e respeito a toda essa população e, logicamente que isso não merece da imprensa uma divulgação, até porque você não vai ver nunca nenhuma reportagem na frente do Cemo (Centro de Especialidade Médico Odontológica) na Pedro Álvares Cabral dizendo que as pessoas estão sendo atendidas 24 horas, estão satisfeitas, nunca. Nós estamos preocupados em fazer as obras que realmente Belém precisa. Estamos tendo a coragem de fazer isso e por isso que eu resolvi não ser candidato a nada, concluir meu mandato e realizar essas obras. Belém já me deu muito. Belém me fez vereador, deputado, senador e duas vezes prefeito. E como é que eu vou me preocupar se tem algumas pessoas que, muitas vezes por questões políticas, fazem críticas. As críticas muitas vezes são até bem-vindas. Elas são um instrumento para rever posições. Eu não cometo só acertos. Eu também erro, então eu preciso realmente das críticas para alertar e corrigir determinados rumos em que muitas vezes se está equivocado.
P: Sempre que a gente entrevista o senhor ou seu secretário de Saúde, vocês falam da culpa do Estado e do governo federal pelo caos na saúde de Belém e fazem críticas como se não fossem os gestores. A prefeitura lavou as mãos em relação a essa questão? Não há nada que vocês possam fazer para pelo menos minimizar os problemas?
R: A única que não lavou as mãos foi a prefeitura. O resto sim. Lavaram as mãos. A prefeitura foi para cima e encarou essa responsabilidade que não é só dela. É muito mais fácil ir para a porta do Pronto-Socorro, porque é a única porta aberta do Estado. A pessoa vem, nem que seja para se jogar no chão. Então acabaram depositando no município uma responsabilidade que ele não tem condição de assumir. O município de Belém não suporta atender pessoas de todo o Estado. Isso já foi dito e enquanto isso não for compreendido, as pessoas vão morrendo.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar