A Secretaria de Segurança Pública do Estado acaba de elaborar um mapa completo da situação do tráfico de drogas na Região Metropolitana de Belém. O estudo, que será passado ao comando da área de segurança do próximo governo, identifica os líderes principais das organizações envolvidas com o tráfico, os seus integrantes e as áreas consideradas mais “quentes”, tanto no que diz respeito ao comércio ilegal de drogas quanto aos crimes relacionados com o tráfico.
Alguns dados são assustadores, embora não exatamente surpreendentes. De acordo com o secretário de Segurança, Geraldo Araújo, cerca de 80% dos homicídios registrados nessas áreas estão relacionadas com o tráfico. Os motivos para as execuções são quase sempre os mesmos, segundo o secretário: o não pagamento de dívida assumida com o traficante, a invasão de território e as desavenças entre pessoas ou grupos ligados ao tráfico.
Geraldo Araújo informou que, somente nos bairros de Águas Lindas e Júlia Sefer, foram registrados este ano, até agora, nada menos que 54 homicídios, a maior parte deles, seguramente, relacionada com o tráfico de drogas. Acrescentou que, de 40 pessoas envolvidas com esse tipo de crime na Cabanagem, uma das áreas “quentes” da cidade, 17 estão presas, seis se acham foragidas – mas já com prisão preventiva decretada – e outras 17 sob investigação para produção de provas.
Também com base no mesmo estudo, resultado de um longo e detalhado serviço de investigação, a Polícia Civil já tem ajuizados 27 pedidos de prisão preventiva, todos no aguardo da manifestação da Justiça, além de outro tanto ainda sob investigação, o que, segundo ele, vai certamente gerar novos pedidos. “A nossa expectativa é de que venham a ocorrer brevemente prisões em grande número, de forma a desarticular as organizações do tráfico e com isso provocar uma redução bastante expressiva dos índices de violência em toda a Região Metropolitana”, acrescentou.
Geraldo Araújo, delegado da Polícia Federal com larga experiência, inclusive internacional, não endossa a classificação de “crime organizado” que costumeiramente se dá às organizações que operam no tráfico de drogas e nos crimes conexos.
Na opinião dele, o tráfico é operado por organizações criminosas, dirigidas e integradas por pessoas truculentas, mas sem o nível de sofisticação que caracteriza verdadeiramente o crime organizado. “Isso ficou patente inclusive na recente operação policial no morro do Alemão, no Rio de Janeiro, em que dezenas de bandidos foram vistos em debandada por uma estrada de chão”, acrescentou.
Para Geraldo Araújo, o problema do tráfico de drogas não vai ser resolvido apenas pela repressão policial, já que a atividade criminosa não conhece fronteiras. “O tráfico movimenta por ano mais de U$ 400 bilhões em todo o mundo”, disse o secretário, acrescentando que a maior parte da cocaína consumida no Brasil vem da Bolívia e do Peru.
Da droga produzida na Colômbia, a quase totalidade – estimadamente 80% – sai pelo Pacífico com destino aos Estados Unidos e aos países europeus. (Diário do Pará)
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