Dia 31 de dezembro, virada do ano. Dia de reunir família e amigos, fazer festas e curtir, certo? Errado. Pelo menos é assim para centenas de pessoas, que passarão a noite trabalhando, seja para ganhar uma renda extra ou por conta da escala de trabalho.
Enquanto alguns se deslocam para as festas no réveillon, o taxista Manoel de Brito garante um dinheirinho a mais para a família. “Eu gosto do trabalho, fico rodando pela cidade, que costuma ter bastante movimento”.
Há mais de vinte anos trabalhando no dia 31, ele vê a data como outra qualquer do ano. “É um dia comum, não vejo como sacrifício”.
De acordo com o taxista, a família também já não reclama de seu trabalho. “É bom que eu não tenho mais filho pequeno e minha família já se acostumou”, conta.
A enfermeira Joelma Lima será outra a trabalhar na virada do ano, em um plantão de 24 horas. “Já fiquei nesse plantão umas cinco vezes. É difícil por ser um dia diferente, mas quem trabalha com plantão já espera isso mesmo”, diz.
Joelma trabalha no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e conta que, se não tiver nenhuma ocorrência, ela e os colegas de plantão tentam organizar uma ceia para celebrar a data. “Não deixamos de comemorar, mesmo estando no trabalho”, afirma.
O médico Manoel Paixão também já se acostumou aos plantões no Samu ou no hospital durante as datas festivas, como o réveillon. O principal aliado para conseguir ficar perto da família neste momento é o telefone. “Sempre ligo para a família na virada do ano e os amigos também ligam”, diz.
“A minha amiga é a televisão, é a única companhia”. É assim que o porteiro Ocimar Bahia passa a virada do ano no trabalho. Pelo terceiro ano seguido, ele ficará na escala de trabalho durante o réveillon e conta que o dia costuma ser bem difícil. “É ruim porque fico longe da minha família e dos meus filhos”.
Quando o relógio marca meia-noite, o telefone começa a tocar. “O telefone não para. É esposa, filhos, amigos. A gente fica ligando um para o outro direto e depois fica só a tristeza”.
Apesar da distância dos familiares, ele afirma que já está acostumado com a situação. “A minha profissão é assim. Tem que trabalhar, né?”. (Diário do Pará)
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