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Jogos apresentam sexualidade para crianças

Falar sobre sexualidade é ainda um tabu na sociedade. Em casa ou entre amigos, o assunto é motivo de risinhos e olhares baixos. Nas escolas, pais e professores não sabem como abordar o tema. Se conversar é complicado, que tal brincar com jogos educativos

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Falar sobre sexualidade é ainda um tabu na sociedade. Em casa ou entre amigos, o assunto é motivo de risinhos e olhares baixos. Nas escolas, pais e professores não sabem como abordar o tema. Se conversar é complicado, que tal brincar com jogos educativos que fazem com que as crianças e adolescentes fiquem à vontade e tirem suas dúvidas? Essa é a proposta dos Projetos de Extensão “Aprendendo sobre o sexo e a sexualidade: jogos educativos para promoção da saúde sexual de crianças e adolescentes” e “Educação Sexual: o lúdico no ensino”.

O primeiro foi desenvolvido pelos bolsistas do Programa de Iniciação Científica Júnior - PIBIC JR, e o segundo utilizou “kits de jogos pedagógicos” elaborados pelos bolsistas do PIBIC nas atividades de educação sexual do Programa “Distrito Sanitário Universitário: muito além da ação”, coordenado pela professora Réia Sílvia Lemos. As iniciativas queriam propor formas alternativas para a educação sexual de crianças e adolescentes em atividade escolar.

Após a realização de pesquisas exploratórias para conhecer as demandas estudantis, foram confeccionados jogos educativos e testados com alunos da Escola Estadual Augusto Meira (São Braz) e aplicados nas escolas Bento XV (São Braz), Monsenhor de Azevedo (Condor), Padre Leandro Azevedo, Barão de Igarapé Miri e Santos Dumont (Guamá).

A sexualidade é uma expressão individual que sofre influência de aspectos sociais, culturais, econômicos, políticos e religiosos. Para uma adolescência saudável, é necessário promover uma educação sexual adequada. “A pesquisa mostrou que as crianças sabem como evitar doenças e gravidez, mas não têm consciência do próprio corpo nem sabem como ele funciona em cada fase da vida”, afirma Etiane Batirola, bolsista do Projeto e atualmente mestranda em Odontologia.

No âmbito do Projeto, são realizadas quatro ações por ano em cada escola, promovendo atividades que provoquem não só a troca de conhecimento sobre sexualidade, mas também o debate sobre saúde bucal e nutricional, educação ambiental, cidadania e direitos humanos.

Um dia de ação envolve uma equipe multidisciplinar, que pode contar com até 60 acadêmicos e outros colaboradores, e atender entre 600 e 1000 crianças e adolescentes do 6º ao 9º ano. “Os jogos trabalham a temática da saúde sexual de forma mais lúdica, pois o objetivo é que a criança descubra o seu corpo. Queremos que ela saiba, por exemplo, que tem um útero e entenda quais as suas funções”, explica a ex-bolsista Etiane Batirola.

Foram criados os jogos: “Quebra-garoto” e “Quebra-garota” para que cada um descubra seu sistema genital no encaixe das peças; “jogo da memória” para trabalhar as formas de contágio da AIDS; um “dominó” com a temática da camisinha e “jogos de tabuleiro” com perguntas e respostas sobre a AIDS e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). “Os materiais utilizados para confeccionar os jogos são simples e recicláveis como: papel, papelão, EVA, recortes de revistas e jornais e pastas plásticas. Os jogos são fáceis de serem confeccionados por alunos e professores e muito práticos em sala de aula”, relata Etiane.

Para a professora Réia Lemos, o Programa “Distrito Sanitário Universitário”, com seus bolsistas e voluntários, contribui para a prevenção de problemas frequentes de saúde pública. “Atuar no ensino da educação sexual quando a prática estiver ocorrendo não vai adiantar, pois os comportamentos errôneos já estarão sedimentados. O interessante é que essa educação comece o mais cedo possível. Os professores poderiam trabalhar a elaboração desses kits pelos alunos, que passariam a aprender fazendo”. (Diário do Pará)

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