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De bairro operário a área nobre no centro de Belém

Quem hoje avista modernos edifícios de localização privilegiada em uma das regiões mais valorizadas de Belém não consegue imaginar que o bairro do Reduto já foi uma vila de operários, considerada subúrbio. Antes, era conhecido como ‘Doca do Reduto’, nosso

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Quem hoje avista modernos edifícios de localização privilegiada em uma das regiões mais valorizadas de Belém não consegue imaginar que o bairro do Reduto já foi uma vila de operários, considerada subúrbio. Antes, era conhecido como ‘Doca do Reduto’, nosso postal de hoje na série ‘DIÁRIO Documento’.

De fato, poucos conhecem a história do local e sua importância econômica para a cidade no período compreendido entre os séculos XIX e XX. Além disso, foi onde morou e morreu, na parte residencial do bairro, o grande compositor e maestro Carlos Gomes.

O Reduto foi essencial para o desenvolvimento comercial da cidade. Na época, a proximidade do bairro com a Baía do Guajará era um aspecto favorável. Comerciantes de várias nacionalidades, principalmente sírio-libaneses, se estabeleceram na região pela facilidade em descarregar suas mercadorias vindas de outras cidades. No início do século XX, a maior parte das fábricas instaladas na capital paraense estava situada no Reduto. Foram estabelecimentos que no período de 1920 a 1940 se mantiveram firmes em sua produção. Por essas características, o lugar recebeu identificações de “bairro mercado” e “bairro operário”.

A indústria em Belém, no início do século XX, estava em constante crescimento, apesar das dificuldades decorrentes da crise da borracha. As fábricas que surgiam nesse período operavam com baixa tecnologia, mas atendiam ao mercado local. Entre as fábricas de maior destaque no bairro do Reduto, estava a ‘Perseverança’, localizada no quarteirão entre as ruas Quintino Bocaiuva, Gaspar Viana, Rui Barbosa e Municipalidade. Era um estabelecimento de grande porte, que chegou a dominar o mercado de cabos, barbantes, cordas e linhas para pesca. O prédio abriga, atualmente, um estabelecimento de ensino e alguns escritórios.

Famosa pela produção e comercialização dos sabonetes, a fábrica Phebo, fundada em 1924, é a única em funcionamento. Atualmente se chama ‘Granado Pharmácias’. Nos anos de 1950, a construção da rodovia Belém-Brasília facilitou a entrada e a comercialização de produtos do sudeste do país, o que prejudicou a produção e o comércio locais. Assim, o fechamento de muitas fábricas foi inevitável.

Hoje aterrado, o bairro resplandece como um dos principais pontos de lojas, inclusive um shopping, bares, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais de referência da cidade. Além disso, é um dos lugares onde a moradia é mais bem valorizada. Apesar das mudanças urbanísticas sofridas pelo bairro, ainda é possível encontrar antigos galpões de fábricas, transformados em outros estabelecimentos, além de casas que preservam o mesmo estilo arquitetônico. (Diário do Pará)

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