Em entrevista à TV RBA na tarde de hoje (30), o coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Pará, Aílson Cunha, criticou o ritmo acelerado de trabalho nas construções realizadas na capital paraense. “As construtoras de Belém estão em uma disputa para ver quem entrega prédio mais rápido. Com isso, faz os trabalhadores trabalharem aos sábados e domingos, em um ritmo acelerado demais. Nossa jornada chega a mais de 10 horas por dia”, relatou Cunha.
De acordo com o coordenador, 120 operários trabalhavam no canteiro de obras do edifício que desabou, na capital paraense. Ontem (29), havia oito trabalhadores, sendo que quatro deles saíram antes do acidente, por volta das 13 horas. “É uma tragédia que abala o setor da construção civil. Se fosse em um dia útil, a tragédia seria ainda maior”, disse Aílson Cunha. “O setor da construção civil está com um risco imenso. Nós, do sindicato, estamos preocupados”, disse o coordenador.
Aílson Cunha disse ainda que o sindicato está acompanhando toda a situação e vai começar a atuar “mais rigorosamente” para evitar que casos como esse se repitam. “A gente vê que, no meio de todo esse contexto, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) está pecando. Não está fazendo o trabalho como deveria. A gente faz a denúncia, mas não tem o poder de embargar a obra. Aciona a DRT, mas a DRT está deixando a desejar”, criticou Ailson.
Ele adianta que o sindicato fará uma reunião amanhã, com os trabalhadores, para discutir a tragédia no edifício da Real Engenharia. “Hoje de manhã, já tivemos uma reunião, que continuará à tarde. E estamos convocando os trabalhadores para uma reunião no sindicato, às 9 horas. A gente espera que os corpos sejam retirados, porque são pais de família”.
(Carlos Gondim/DOL)
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