o dia 13 de agosto em 1987 os 13 andares do edifício Raimundo Farias, localizado na Diogo Móia, a poucos metros da Doca de Souza franco foram ao chão, vitimando 39 operários. Até então essa era considerada a pior tragédia da construção civil no Estado. Era. O desabamento do edifício Real Class ocorrido anteontem infelizmente ocupou esse triste posto, já que, apesar do número de vítimas ter sido bem menor, o desabamento ocorreu na 34ª laje.
O assessor parlamentar Lucivaldo da Silva Ribeiro, vulgo “Branco” era diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil na época. Ele relembra que os proprietários da construtora Marques Farias foram inicialmente indiciados por homicídio doloso e, depois, culposo. Eles recorreram da sentença que foi extinta por prescrição.
Ele recorda que foram necessários mais de 10 dias para retirar todos os corpos dos operários dos escombros do prédio. Os primeiros a chegarem ao local foram soldados do Exército que iniciaram as escavações com as mãos. “Só foi retirado um operário com vida dos escombros, que morreu logo em seguida de ataque cardíaco”, diz.
PRESCRIÇÃO
O advogado Jorge Farias, que em 1987 era da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PA e hoje preside a Comissão de Defesa de Igualdade Racial da Ordem, ficou até o fim na defesa das famílias das vítimas. “Infelizmente o processo cível, que tramitou de 1988 a 1998, prescreveu graças a uma interminável briga entre a Justiça e os réus por causa de uma segunda perícia”. O advogado diz ainda que as famílias até hoje esperam pela pensão prometida pela Prefeitura, na época, e que ainda não chegou.
Na área cível as famílias, depois de muito lutar, conseguiram uma indenização de R$ 170 mil dos proprietários da empresa para dividir pelas 39 famílias. ”A indenização que coube a cada família foi irrisória. As famílias estavam cansadas de brigar e acabaram aceitando o acordo”, lembra. (Diário do Pará)
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