Uma belenense que mora próximo ao local do desabamento do edifício Real Class, na travessa 3 de Maio enviou uma mensagem ao Diário Online relatando os momentos que se seguiram ao desastre. A moradora, que se identificou apenas como Rosana, disse que estava esperando seu noivo em sua casa, localizada na 3 de Maio, entre as ruas Boaventura da Silva e Domingos Marreiros, quando ocorreu a tragédia.
Confira o relato:
“Estava esperando (meu noivo) em casa quando ainda chuviscava. Dentro de casa ouvi um trovão. Segundos depois, ele chegou e estacionou o carro. Para minha surpresa, ao invés de entrar, foi para o meio da rua e pela sua expressão pude perceber que algo acontecia. Primeiramente pensei: ‘Foi um acidente’ (algo comum na esquina da 3 de Maio com a Boaventura). Saí de casa e ele me relatou: ‘Amor, o prédio desabou, desapareceu!’. Perguntei a ele como ele tinha visto tal situação. Ele disse-me então que chegava em casa quando de dentro do carro viu o prédio simplesmente descer, além dos fios elétricos que se partiam, naquele instante. Depois poeira, muita poeira...
Voltei para casa, vesti uma bermuda, calcei sandálias e peguei uma sombrinha. Até neste momento, ninguém da rua havia percebido o que acontecera. Avisamos aos vizinhos que saíram de suas casas imediatamente para ver tal fato. Fomos também observar da esquina da 3 de Maio com a José Malcher como estava a situação. No caminho, conhecidos diziam também ter ouvido o tal trovão. Outros diziam que parentes que estavam na sacada de outros prédios, no momento da tragédia, ligavam imediatamente para os serviços de emergência e para amigos do bairro. Uma moradora da 3 de Maio contou-me que amigos faziam um churrasco em uma casa próxima ao prédio e viram o prédio ruir, trêmulos, não acreditavam no que viam.
De onde estava percebi que o trânsito dava seus primeiros sinais de congestionamento, e questionei com meu noivo o porquê de não haver isolamento da área ainda. No período de uma hora diversas pessoas atravessavam as ruas para olhar de perto a situação. Samu, polícia, bombeiros já se encontravam no lugar. Surpreendeu-me o não isolamento da área. Subimos o quarteirão, já que não havia nada que impedisse a população de passar. A intenção era não demorar.
Visualizamos a situação e quando decidimos voltar, o estalo maior aconteceu. Ouvi então alguém dizer ‘O prédio tá caindo’. Não acreditei. Olhei para cima e muitas pessoas atrás de mim empurraram-me e não tive como não correr. Realmente tive a impressão de que aquilo iria acontecer tamanho o desespero das pessoas.
Uma situação de pânico se instalou. Cada um por si. Pessoas empurravam-se e em minha frente, via sapatos e pessoas caídas, pelas quais tive de passar por cima, com o cuidado para não machucá-las. No entanto, caí no chão de joelhos, e não consegui me levantar por uns 15 segundos aproximadamente. Senti o pé de alguém nas minhas costas gritei por ajuda e um rapaz, também caído, disse-me: ‘Vamos levantar’! Nesta tentativa, uma senhora e diversas pessoas, caíam sequencialmente, e uma delas sobre mim. De pé corri para o meio da rua, olhei o prédio ainda de pé, procurei por meu noivo e nada...
Caminhei pela rua olhando os joelhos e vi pessoas ainda empurrando-se para descer no sentido José Malcher. E assim aconteceu. Já em casa, fiquei sabendo que alguns parentes que moravam na José Malcher passariam a noite em casa. Contaram-me que o prédio que caiu ficava atrás da residência deles e que no momento assistiam televisão na sala quando, de repente, o sofá balançou com a casa para frente e para trás. Lá, moram sete pessoas e uma criança, que ainda não sabem quando poderão voltar para casa e ter a certeza de que nada mais poderá acontecer ao outro prédio.”
(DOL)
Uma câmera de segurança registrou os momentos que se seguiram ao desabamento do Real Class. Assista, clicando no ícone abaixo:
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